2. Violino sob o luar

junho 22, 2009 at 1:43 am (FE - Path of Radiance, Parte 2)

O sol já se punha quando a reunião terminou. Melissa seguiu com seu violino para um dos penhascos fora do castelo de Gallia e tocou uma música que aparentava ser serena e sombria, assim como fizera todos os outros dias que seguiram à morte de Greil. Do interior do castelo, escutava-se a melodia.

The_Siren_by_Diabolicalll[Ike] O que é isso?

[Elincia] Desde a notícia da morte de lorde Greil, rainha Melissa sai todo anoitecer e produz uma bela música em homenagem a ele.

[Ike] Que forma diferente de demonstrar luto.

[Soren] Suponho que seja uma prática herdada dos herons. Pelo que li, a família real dos Eternos possui origem na família real dos Herons. Antigamente, na cultura heron, quando um dos membros queridos falecia havia cantos solenes por sete dias.

[Ike] Está dizendo que aquela garota também é laguz?

[Ranulf] Em sua origem, sim. Os Eternos são criaturas misteriosas, pouco se sabe sobre eles. Uma das teorias é de que tiveram origem na mistura entre herons e beorcs, mas não existe comprovação disso. A afinidade musical entre herons e eternos e até alguns traços físicos são semelhantes, mas não se pode deixar enganar pela aparência delicada de um eterno. Ao contrário dos extintos herons, os eternos são extremamente fortes e poderosos.

Ike permaneceu em silêncio pensando nos contatos que seu pai possuía e ele não sabia e no que seu passado escondia.

Quando a composição terminou, Melissa escutou palmas vindas de trás dela. Ao se virar, deparou-se com dois rapazes de cabelos verdes, um de idade adulta e outro de aproximadamente doze anos.

[Oscar] Esse foi um som maravilhoso.

[Melissa] Ah… obrigada!

[Oscar] Eu sou Oscar, dos Greil Mercenaries. E este é meu irmãozinho, Rolf. Nós gostaríamos de agradecer pela ajuda alguns dias atrás.

[Melissa] Oh… não foi nada… eu… gostaria de ter ajudado mais…

Rolf e Oscar se entreolharam. Como se entendesse o irmão no olhar, Rolf inventou uma desculpa e voltou para o castelo.

[Oscar] Ike nos contou que você e o comandante se conheciam.

[Melissa] Sim, muito antes dos dois nascerem. Mestre Gaw… mestre Greil era um grande homem, me ensinou muito do que sei hoje… Como vocês estão indo?

[Oscar] Bem, alguns abandonaram o grupo, mas foram poucos. Acredito que conseguiremos dar conta dos trabalhos, mesmo na ausência dele.

[Melissa] E as crianças?

[Oscar] Bem, Ike é muito forte e tem se mostrado bastante maduro. Ele levou a sério o desejo do pai em seguir em frente, acredito que se tornará um grande homem. Mist ainda está abalada, ela é mais frágil, mas também está superando.

[Melissa] Que bom! São boas crianças, merecem ser felizes.

[Oscar] Sei que isso pode parecer presunçoso, e não precisa responder se não quiser… mas… por que uma pessoa tão nobre quanto vossa majestade deseja nos acompanhar a Begnion?

[Melissa] Bom, seremos companheiros em breve, então não precisa de rodeios para falar comigo. Não é que eu deseje acompanhar a Begnion, desejo ficar próxima dos filhos de Greil. Eu tinha um carinho muito grande por mestre Greil e a mulher dele, de certa forma posso dizer que esse carinho se transferiu para os garotos. Quando Elena morreu, Greil me fez prometer que não interferiria, que ficaria longe das crianças, pela própria proteção delas. Mas quando essa guerra começou, ele me pediu para que, na falta dele, cuidasse para que os dois ficassem seguros e felizes.

[Oscar] Eles não são tão frágeis quanto você imagina.

[Melissa] Eu sei e não me admirei quando Ike disse que quer crescer forte para vingar o pai, muito menos quando aceitou o trabalho de proteger a princesa. Ike é honrado e forte como o pai e tem o coração puro da mãe. Não pretendo ser guardiã de nenhum deles, por isso a idéia de me unir aos mercenários pareceu boa. Ao me tornar uma aliada, posso garantir que não se machuquem sem interferir na liberdade deles e quando a paz voltar a Tellius, vou deixá-los construir novamente uma vida feliz.

[Oscar] É muito nobre de sua parte.

[Melissa] Na verdade é egoísta de minha parte. Estou colocando minha vontade acima do que seria correto fazer, mas não me importo. Ficarei feliz se eles forem felizes.

Melissa e Oscar passaram a noite conversando ao luar. A pedido da garota, que queria conhecer mais sobre seus novos colegas, Oscar contou diversas histórias envolvendo todos os membros dos mercenários, algumas situações divertidas, outras de coragem etc. Melissa também partilhou muitas de suas experiências e deixou Oscar bem mais a vontade, que passou a vê-la mais como guerreira do que uma nobre rainha. Os dias se passaram e, um dia antes da partida para Crimea, de onde pegariam o barco para Begnion, Melissa retornou à Terra.

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1. Gallia

junho 18, 2009 at 2:03 am (FE - Path of Radiance, Parte 2)

A viagem de Ike e os mercenários até o castelo de Gallia não fora tranqüila. Logo após Ike assumir o grupo eles foram atacados por Daien, novamente salvos pelos laguz e ainda tiveram de enfrentar mais soldados de Daien a caminho. Passaram-se três dias entre a morte de Greil e a chegada dos mercenários ao castelo.

- Lord Ike! Amigos! – Princesa Elincia foi a primeira a saudá-los em sua chegada.

- Princesa Elincia! – Respondeu Ike.

- Eu soube o que aconteceu… ao Comandante Greil. Eu… não sei o que dizer.

- Não se preocupe. Nós estamos bem. Estamos dando conta… de alguma forma.

- Oh Ike…

- O rei acaba de chegar. – Anunciou um servo do castelo.

À sala onde os mercenários e a princesa estavam entraram um grande leão, um laguz tigre e a rainha de trajes negros.

[Ike] Humm… Olá…

[Caineghis] Obrigado por virem ao Palácio de Gallia. Eu sou Caineghis, governante do reino de Gallia.

[Ike] Estes são os Greil Mercenaries. Eu sou Ike, o comandante.

[Caineghis] Você cresceu bastante, filhote, eu não o reconheci.

[Ike] Como?

[Titania] Na última vez que você esteve aqui ainda era uma criança muito pequena.

[Caineghis] É você, Titania? Que bom vê-la novamente.

[Titania] O prazer é meu, majestade.

[Ike] Vocês dois são amigos? Como… como o rei me conhece?

[Melissa] Acho que vocês estão embolando a cabeça do menino.

[Caineghis] Realmente é melhor irmos direto ao assunto. Eu tenho algo para contar sobre o seu pai, Greil… Lethe, Mordecai! Prepare quartos para nossos convidados descansarem e cuidarem de suas feridas, farei uma reunião com a liderança do grupo agora.

Os dois laguz concordaram e apontaram o caminho para os mercenários. O grupo saiu vagarosamente, para esperar uma palavra de Ike.

[Elincia] Seria aconselhável que eu também partisse?

[Caineghis] Não, princesa. Eu desejo que você fique. E estes dois também permanecerão. Este é Giffca, minha sombra. Não precisam dar atenção à presença dele. E acredito que vocês já conheçam Melissa, senhora da nação secreta de Sphere. Uma leal aliada de Gallia e de seu pai.

[Ike] Entendido. Também desejo que Titania e Soren permaneçam também.

[Soren] Eu?

[Caineghis] Muito bem. Agora, por onde começar? Titania? Quanto Greil contou para seu filho?

[Titania] Ike foi criado sem nenhum conhecimento de Gallia e nem se lembra de ter estado aqui.

[Caineghis] É mesmo? Então o melhor que temos a fazer é contarmos a ele o que sabemos. Ainda que eu não saiba de muita coisa.

[Ike] Está tudo bem. Tudo que puder me contar será apreciado. Eu quero saber mais sobre meu pai.

[Caineghis] Hmmm… Você tem bons olhos. Honesto e bravo. Vejo seu pai neles. Muito tepo atrás, Greil… seu pai… trabalhou como mercenário para Gallia. Melissa o trouxe até nós e eu e ele criamos um forte laço de amizade. Para falar a verdade, eu ainda não confio em beorc. Mas seu pai era diferente. O pai da princesa Elincia, Rei Ramon, e o irmão dele, Lord Renning, também eram muito diferentes. Todos eles são… ou eram… homens excepcionais. Homens extremamente confiáveis. Oh… Titania! Você também é uma exceção! Entre as mulheres beorc, você é única.

[Titania] Muito agradecida, majestade.

[Ike] Meu pai foi um mercenário em Gallia…?

[Caineghis] Correto. E você e sua irmã? Ambos nasceram aqui em Gallia. Vocês ficaram por um curto tempo, mas parte da infância de vocês se passou dentro destas fronteiras.

[Ike] Mist e eu nascemos aqui? É isso mesmo? Eu não me lembro de nada disso.

[Caineghis] Sinto que os pais de vocês carregavam um grande segredo. Alguém estava caçando-os, tenho certeza disso. Certa vez, cerca de dez anos atrás, após sua mãe ser assassinada, seu pai decidiu deixar Gallia. Antes dele partir, eu fui até ele e pedi que partilhasse de sua história. Eu perguntei a ele: “Por que você está sendo perseguido? Existe algo que eu possa fazer para ajudar?”. Mas fui incapaz de fazê-lo dizer alguma coisa. E quando soube que ele havia retornado a Gallia, pensei que talvez tivesse outra chance de conversar com ele sobre isso. Seu destino era sombrio. Se eu tivesse sido mais rápido, se tivesse apressado meus passos, talvez tudo fosse diferente.

[Ike] Espere! Agora eu entendo. A voz que escutei… Era você, não era?

[Caineghis] A ferida dele era fatal. Eu não podia fazer nada. Pensei que seria melhor se não interferisse em seus momentos finais, então permaneci escondido. Diga-me, Ike… No final, ele confessou algo a você? A identidade do Black Knight, ele revelou?

[Ike] Black Knight? Não, não sei quem ele é. Meu pai me confiou o comando dos mercenários, disse-me para confiar no Rei Caineghis e viver pacificamente em Gallia. Me mandou esquecer todo o resto.

[Caineghis] Só isso? Bem, farei o que for possível. Se seus mercenários desejarem viver aqui, arranjarei uma forma de isso acontecer. Fornecerei a todos casas e terras.

[Ike] Aprecio sua bondade, mas falando por mim, eu não conseguiria viver aqui em paz. Ao menos não agora. Eu vou vingar meu pai. Não posso esquecer o que aconteceu assim tão rápido… nem o Black Knight.

[Titania] Mas, Ike! Isso não…

[Ike] Eu sei. Eu não sou… não sou forte o suficiente. Um oponente que pôde derrotar meu pai está muito além do meu alcance… E por isso mesmo vou me esforçar para crecer e ficar cada vez mais forte. Vou liderar os mercenários de meu pai e me preparar para o dia que eu tiver minha chance de vingança.

[Caineghis] Uma atitude bastante prudente. Você parece um rapaz impulsivo, mas é filho de Greil realmente.

[Titania] Há! Você amadureceu ,Ike. Parece que foi ontem que você era apenas uma criança.

[Caineghis] E agora, eu gostaria de pedir um favor a você. Ike, você emprestaria a força de su grupo de mercenários para a Princesa Elincia?

[Ike] Está falando sério?

[Caineghis] Gallia e Crimea são nações aliadas, isso não pode ser negado. Entretanto, essa aliança realmente mantém-se apenas nas famílias reais. Não é respeitada por nossos cidadãos.

[Titania] As pessoas de Gallia algumas vezes são vistas em Crimea, mas ainda que as nações sejam amigas, as pessoas de Crimea dificilmente compreendem os laguz. Muitos dos nossoa ainda usam o nome indigno “sub-human” quando falam dos laguz…

[Elincia] Meu pai se sentia numa mistura de vergonha e pesar quando ouvia acontecimentos deste tipo. Mais do que qualquer rei em nossa história, ele queria profundamente que nossos povos se relacionassem bem, e então…

{Caineghis] Talvez por isso Daien o usou como alvo. O ódio de Daien pelos laguz é bem conhecido.

[Ike] Seria possível…?

[Caineghis] Eu gostaria, de todo coração, de servir de guardião à Princesa Elincia e auxiliá-la a reconstruir Crimea. Entretanto, há um sentimento antibeorc crescente em Gallia. Se nós oferecermos refúgio à princesa, sinto que muitos dos anciões e estadistas irão protestar. Eles dirão que estamos dando a daien a desculpa perfeita para nos atacar.

[Ike] O que significa que Gallia não pode oferecer ajuda à Princesa Elincia… é isso?

[Caineghis] Infelizmente é verdade…

[Elincia] Rei Caineghis e Rainha Melissa me aconselharam a procurar a Teocradia de Begnion e pedir auxílio à restauração de Crimea. Eles disseram que nós deveríamos fazer um requerimento formal e ganhar o suporte dos escudos deles.

[Titania] Uma viagem a Begnion exige alguns meses ao mar. Uma escolta será necessária…

[Ike] Como você sabe, nós temos poucas pessoas para servir de um completo exército mercenário. Então, se a princesa desejar nos contratar como escolta, é uma oferta além das nossas expectativas. Titania! Soren! Acho que devemos aceitar a oferta do rei. O que vocês acham?

[Titania] É este o seu desejo, não é, comandante? Muito bem, nosso trabalho é seguir você.

[Soren] Qualquer caminho que desejar seguir, por mim está bom. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para nos guiar ao sucesso.

[Ike] Entendido. A partir de agora, os Greil Mercenaries assumem a honra de servir de escolta para a princesa de Crimea. Princesa Elincia, nossa jornada juntos será sem dúvida muito longa. Espero que possamos servi-la bem.

[Elincia] Oh, muito obrigada! Rezo para que, em retorno, eu possa fazer valeu seu serviço!

[Melissa] Muito, bem. Acredito que não vão se importar se eu os acompanhar nesta jornada.

[Elincia] Rainha Melissa…?

[Melissa] Algum tempo atrás eu prometi a Greil que, se algo acontecesse a ele, eu cuidaria para que suas crianças crescessem felizes e seguros. Já que, como eu esperava, vocês não vão ficar quietos em Gallia, acredito que não tenho outra escolha a não ser acompanhá-los pessoalmente.

[Titania] Perdão majestade, mas e quanto ao seu reino?

[Melissa] Haverá outros que podem cuidar dele temporariamente. Além do mais, não aceito não como resposta. Ou faço parte do grupo, ou os seguirei pelas sombras.

[Ike] Se é assim, será um prazer receber mais um membro ao grupo.

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11. Luto

maio 18, 2009 at 1:15 am (FE - Path of Radiance, Parte 1)

Rei Caineghis e Ranulf chegaram ao castelo real de Gallia ao amanhecer. Melissa estava sentada no alto da grande escadaria que dava para a entrada principal. Os dois se aproximaram e Caineghis tomou a palavra.

- Quando chegamos já era tarde demais. Salvamos o filho, mas não foi possível salvar o pai.

- Entendo. Agradeço assim mesmo, se não estivessem lá aquelas crianças estariam perdidas. Qual o próximo passo?

- Vou dar o dia de luto a eles. Ao cair da noite enviarei Lethe e Mordecai para guiá-los até aqui.

- Então tenho um dia para remontar estratégia. – Disse a jovem se levantando – Hoje a princesa de Crimea é toda sua. Volto amanhã ao amanhecer.

A garota desapareceu no ar, tão inexplicavelmente quanto o sumiço do Black Knight.

[Go to: http://phantasias.wordpress.com/2009/05/10/uma-nova-realidade]

No Castelo Gebal, o dia fora de grande pesar. Ao pôr-do-sol, somente Ike e Mist permaneciam diante do túmulo de Greil.

- … Pai! Isto não é um sonho, né? Isso… é tudo real. – Sussurrava Ike – Mist. O sol está se pondo, está começando a esfriar. Vem. Vamos.

- Oh… Ike… – As palavras saiam com dificuldade entre o choro da menina.

- Mist…

- Por quê???

- Eu estava ao lado dele, mas… não pude salvá-lo… me perdoe!

- Snifff…

- É… É tão irreal…

- Papai se foi… Papai se foi, Ike… E eu… Eu não… Não sei o que fazer…

- Não se preocupe, estou aqui. – Disse o irmão mais velho estendendo a mão para Mist levantar e encaminhando-a de volta ao castelo.

- Irmão…

- Eu vou liderar a companhia… no lugar do papai… vou proteger todos vocês. Você, a princesa… todo mundo. Vou proteger você. Você vai ver.

- Não… irmão… Ike… não…

- Mist?

- Eu não vou deixar… Não posso perder você. Você não vê? Se você partir, eu vou ficar sozinha no mundo… Não vou deixar.

- Eu não vou a lugar algum. Eu te prometo, Mist…

Ao entrarem no castelo, Rhys e Rolf levaram Mist para o quarto, enquanto Titania e Soren chamaram Ike para conversar.

- Ike… – Chamou Soren.

- Oh Ike… onde está Mist? – Perguntou Titania.

- Descansando no quarto dela. Rhys e Rolf estão com ela.

- Isso é bom… Ela precisa dormir. – Disse Titania – Ela passou por tanta coisa. Todos nós passamos… Você devia descansar também, Ike.

- Eu estou bem. Pesar não vai trazer meu pai de volta à vida. Sei que tenho sido um fardo para vocês dois, mas… Soren, Titania, preciso agradecer a vocês dois por ficarem aqui comigo.

- Não precisa… – Disse Soren.

- Realmente. Não se dê o trabalho. – Complementou Titania.

- Então… cadê todo mundo? – Perguntou Ike.

- Ike, pra dizer a verdade… – Titania tentou introduzir o assunto delicadamente, quando a porta se abriu mostrando a chegada dos irmãos Oscar e Boyd.

- Boyd e eu voltamos! – Anunciou Oscar.

- Como foi? – Perguntou Titania.

- Eu não posso acreditar!!!! – Respondeu Boyd exaltado de indignação – Eles simplesmente partiram, e sem olhar para trás! Malditos sem-coração! Nunca vou perdoar eles!

- Boyd? O que está acontecendo? – Perguntou Ike.

- Ike! Você está bem? – Perguntou Boyd se acalmando um pouco.

- Estou bem. Me diga o que está acontecendo. Comece a falar!

- Bem… huh… é… O que eu queria dizer é…. – Boyd se atrapalhava nas palavras. Não queria dar outra má notícia ao amigo. Não sabia como falar delicadamente.

- Shinon e Gatrie abandonaram o grupo. – Disse Soren sem rodeios.

- Soren! – Reprimiu Boyd.

- O que foi? Não temos nada a esconder, temos?

- Eles debandaram? Os dois? – Interrompeu Ike – Por que eles…. ah, entendo… eles partiram por minha causa, não é?

- Titania nos disse que você seria o novo comandante. – Respondeu Boyd – Shinon explodiu…. Ele e Gatrie partiram não faz muito tempo.

- Nós fomos atrás deles. – Completou Oscar – Tentamos conversar, mas foi uma perda de tempo.

- Todos nós sabíamos que Ike iria herdar a companhia. – Disse Soren – As coisas só aconteceram antes do que nós esperávamos. Esta foi a decisão de Greil. Se alguns de nós não estão satisfeitos com isso, não há motivos para impedir de abandonar. Se a preocupação estiver em perdermos força de luta, podemos solucionar facilmente aceitando novos membros ao grupo.

- Como você pode dizer isso? – Boyd se irritara novamente – Depois de todas as batalhas que passamos juntos, como pode dizer isso?

- Me perdoe, Ike. – Disse Titania ao lado dele – Não fui capaz de impedir nada disso…

- Não foi sua culpa, Titania. – Consolou Ike – Eles fizeram o que achavam que era certo. Eles não queriam arriscar a vida recebendo ordens de um comandante inexperiente.

- Ike! Não fale assim sobre si mesmo. – Retrucou Titania.

- Não estou dizendo isso para ganhar a piedade de ninguém. É a verdade. Mas, ainda assim, eu não tenho intenção de desistir do comando desta companhia.

- Ike? Então o que você vai… – Interrompeu Titania.

- Vou seguir os desejos do meu pai. Vou assumir o comando. Se todos vocês me aceitarem, isso é o que eu gostaria de fazer.

- Mas é claro! – Aprovou Titania de imediato.

- Eu também já me decidi. Já tinha decidido antes mesmo de tudo isso. – Disse Oscar.

- O quê? Então agora você quer que eu comece a te chamar de Chefe? – Perguntou Boyd brincando – É isso? Bom, acho que posso fazer isso. Chefe será!

- Eu também estou dentro. – Ofereceu-se Rhys que acabara de chegar – Sei que perdi a maior parte da conversa, mas tenho uma boa idéia sobre o que vocês estavam discutindo. Comandante Ike… É, soa legal dizer isso.

- E quanto a você, Soren? – Ike perguntou ao amigo mago.

- … Ike. Não tenho certeza se posso ser útil a vocês. – Respondeu Soren com sincera humildade – Que lugar poderia haver para uma pessoa como eu em uma companhia de mercenários?

- Você é tão estranho… – Respondeu Ike – Eu sempre dependi de você, não foi? Preciso do seu conhecimento tático. Preciso da sua objetividade. Você não vai me deixar, vai Soren?

- Não se preocupe. – Respondeu um pouco envergonhado – Estarei aqui, cuidando de você.

- Obrigado, a todos vocês. – Finalizou Ike – Sei que não sou experiente como a maioria de vocês. Eu vou cometer alguns erros, mas vou tentar não desapontá-los.

O grupo cumprimentou Ike satisfeito e se separou. Na sala principal permaneceram apenas Ike e Titania. Como novo comandante, haveria muitas coisas que Ike precisaria saber e decisões que precisaria tomar. Titania, por ser o braço direito de Greil, possuía conhecimento de quase todos os pontos que Ike precisaria gerenciar e logo começou a introduzir o assunto. Ike procurou prestar atenção a tudo que ela dizia, mas o cansaço começou a derrota-lo e ele só conseguiu compreender algumas questões relacionadas à finanças e que Titania havia feito um acordo com mercadores refugiados de dar-lhes segurança em troca de bons preços e manutenção nos armamentos. Com tanta coisa para pensar, Ike ordenou que Titania descansasse um pouco e permaneceu ali, perdido em seus pensamentos.

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10. A morte de Greil

maio 3, 2009 at 8:59 pm (FE - Path of Radiance, Parte 1)

A viagem dos mercenários até o Castelo Gebal fora tranqüila. Todos chegaram exaustos e imediatamente foram dormir. Todos, com exceção de Greil e Ike que estavam preocupados demais com o acontecido para conseguirem relaxar. A escuridão da noite estava em seu ápice, quando Greil decidiu do castelo. Ike, atento às ações do pai, o seguira até encontrá-lo nas muralhas do castelo.

- Pai!

- Ike? O que está fazendo ainda acordado?

- Não consegui dormir. Estava olhando para fora quando vi você saindo do castelo. Onde está indo a esta hora?

- Não tem nada a ver com você, garoto. Volte para dentro e durma.

- Dá para parar de me tratar como criança? Vou fazer o que me der vontade, entendeu?

- Humpf. Você é sempre tão teimoso. Então o que acha de caminharmos e conversarmos um pouco?

- Tudo bem.

Os dois seguiram a passos curtos para dentro da floresta.

- Me diga Ike, está se acostumando com as idas e vindas da vida de um mercenário? A forma como sempre estamos em combate?

- Definitivamente me tornei um lutador melhor. Mas não entendo… por que colocar um novato como eu responsável pelo grupo?

- Por que você está reclamando? Tem algum problema com autoridade?

- Apenas me responda! Acabei de começar. Mal consigo lidar com as minhas próprias obrigações. Não deveria liderar ninguém.

- Você pode aprender tudo de uma vez. Tudo vai se encaixar assim que você começar a ganhar experiência.

- Isso é tão estranho… até um tempo atrás você nunca teria dito ou feito nada do tipo.

Greil não respondeu. Apenas olhou para a lua que teimava em iluminar o interior da floresta.

- Tem algo errado, pai? Por que está com tanta pressa?

- Ike… Você lembra de alguma coisa sobre sua mãe?

- O que? De onde veio isso?

- Apenas responda a pergunta.

- Deixa eu ver… Ela era gentil… eu acho… Não me lembro de muita coisa. E você nunca falou muito sobre ela também.

- Hummm… É verdade…

Pai e filho seguiram silenciosamente por mais um pedaço, até que Greil parou e começou a observar ao redor.

- Pai? O que foi?

- Terminamos. Deixe-me sozinho e volte para o castelo.

- O que? Assim do nada?

- Você me ouviu. É uma ordem direta! Volte ao castelo imediatamente!

- Eu… Tudo bem…

Muito a contra gosto Ike retornou até a entrada do castelo. Mas algo o incomodava, então decidiu voltar à floresta.


Tradução:

[Ike correndo]
Ike: Pai… O que está acontecendo? Onde você está?
[Ike vê Greil lutando contra o Black Knight]
Ike: Pai!
Greil: Ike? Fique longe!
Black Knight: Aqui. Use esta espada.
[Black Knight joga Ragnell perto de Greil]
Greil: O que está fazendo?
[Black Knight desembainha Alondite]
Black Knight: Estou esperando por isso há muito tempo.
Black Knight: Prefiro que você use sua arma mais apropriada, assim poderei vê-lo em toda a sua força…
[Black Knight aponta a Alondite para Greil]
Black Knight: General Gawain, Cavaleiro de Daein.
Greil: Este foi meu nome um dia,
[Greil pega Ragnell]
Greil: mas eu
[Greil joga Ragnell perto de Black Knight]
Greil: abandonei. A única arma que preciso
[Greil pega Urvan]
Greil: está bem
[Greil aponta Urvan para frente]
Greil: aqui.
Black Knight: Você quer morrer?
Greil: Sua voz… Eu lembro de você.
Greil: Acha mesmo que pode me derrotar? O homem que ensinou você a lutar? Que tolice.
Greil: Venha, garoto! Me teste!
[Greil e Black Knight lutam novamente, termina com o Black Knight atravessando sua espada em Greil]
Black Knight: Isso é tudo? Nenhum desafio? Nenhuma resistência?
[Greil balanceia e é pego por Ike. Os dois caem no chão]
Ike: Pai!!!
[Ike segura o pai]
Ike: Não… Não me deixe…
Ike: Não me deixe! Pai!

- Inacreditável! – Dizia a voz metálica do Black Knight – Isto é o que se tornou o meu professor?

- Pai!!! Pai!!! – Gritava Ike incansavelmente.

- I… Ike… – Se esforçava Greil.

- Aguente firme!!!

- Então, vai me dar o que eu vim buscar? – Perguntou Black Knight friamente.

- Eu… não… tenho… joguei… fora… – Respondeu Greil.

- Você, que sabe melhor do que ninguém o que é, jogou fora? – Debochou o cavaleiro – Com certeza pode inventar uma desculpa melhor do que essa. Você nem ao menos está tentando.

- Cansei de falar com você. – Retrucou Greil.

- Então você não vai mesmo me dar respostas, não é? Dizem que os mortos guardam seus segredos. Mas você… não está morto ainda. Fico imaginando… você vai assistir a face do seu filho ficar pálida, os olhos dele se fechando enquanto a vida dele se esvaia… E depois sua filha… ah, os horrores que eu levarei até ela… Talvez isso faça sua língua se soltar? Acho que nós vamos ter que ver para descobrir.

- O quê?????? – Disse Ike levantando-se nervoso.

- Não! Ike! – Gritou Greil em vão.

Ike partiu para cima do Black Knight, que nem sentiu seu golpe. Entretanto, com um movimento de espada do cavaleiro, Ike caíra no chão.

- Ike!!! – Greil gritou novamente.

- Não vou me conter novamente. – Disse Black Knight – Me dê o que eu vim buscar. Se você não resistir, deixarei seu filho vivo.

- P-pare… Não encoste no meu filho!!!! – Greil tentou levantar-se para desafiar o cavaleiro negro, mas não tinha forças para manter-se em pé. Ike entretanto levantou e lançou mais um golpe sobre o Black Knight, que novamente não sentiu nada. Quando o inimigo levantou sua espada contra Ike, um forte rugido fez tremer toda a clareira onde estavam.

- O que foi isso? O rei das bestas? Que incômodo. Eu deveria me retirar? – Perguntava o cavaleiro para si mesmo.

- Você não vai a lugar algum!!! – Desafiou Ike.

- Me diga, o filho é tão burro quanto o pai? – Perguntou Black Knight.

- Ike, pare. – Greil tentou interromper – Você não tem como vencer.

- Você não vai continuar? – Perguntou o inimigo satisfeito – Então eu termino isso… – Mas um novo rugido surgiu novamente, muito mais potente que o anterior – Tão perto… Agora não é hora de eu lidar com ele. Hoje você vai ficar com a sua cabeça no lugar, garoto.

Black Knight desapareceu diante dos olhos de Ike.

- Droga! Tão inflexível. Tão arrogante… Claro… Quem o fez assim… fui eu… – Disse Greil desmaiando.

- Pai? Pai! Aguente firme! – Dizia Ike apoiando o pai nas costas – Não posso fazer nada aqui… Tenho que te levar de volta para o castelo!

Debaixo de uma chuva que teimou cair no momento, Ike carregou seu pai pelo percurso de volta ao Castelo Gebal.

- I-Ike…

- Pai? Você acordou!

- Eu… Tem algo que preciso dizer a você…

- Diz depois. Agora estou te levando de volta para o castelo.

- Esqueça vingança… Deixe aquele cavaleiro em paz… Fique longe…

- O que? Pai?

- Fique com o rei de Gallia… Viva lá. Viva em paz…

- Pai, pare de falar. Está desperdiçando suas forças. Por favor…

- Preciso que você cuide de tudo… A companhia… Mist…

- Espera… Você não deve dizer estas coisas! Vai clarear daqui há pouco. Você vai ficar bem…

Ainda que Ike tivesse esperança, Greil sabia que sua hora tinha chegado. Pouco antes de alcançarem as muralhas do castelo, Greil expirou. Ike gritou tão alto que todos no castelo o ouviram e saíram correndo para ver o que havia acontecido.

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9. (i)Mortalidade

maio 3, 2009 at 8:51 pm (FE - Path of Radiance, Parte 1)

A viagem de Elincia e Ranulf para o palácio real de Gallia foi bastante rápida. Ranulf carregou-a nas costas e corria entre a mata fechada tão rapidamente que se a princesa ficasse de olhos abertos possivelmente não suportaria a viagem. Alcançaram o castelo real de Gallia ao pôr do sol.

Ranulf pediu para que a princesa aguardasse numa calorosa sala de espera, enquanto buscaria o rei. Princesa Elincia sentiu-se feliz por finalmente alcançar o objetivo, mas seu coração se mantinha nos mercenários que haviam ficado para trás. Pouco tempo se passou e Ranulf voltara acompanhado de três pessoas. À frente deles, o grande leão, tomou a palavra.

- Bem-vinda à Gallia, princesa Elincia. É com grande prazer que a recebo em meu território. Sou Caineghis, rei de Gallia, à minha direita está Giffca, meu fiel conselheiro e à minha esquerda, creio que já conheça, rainha Melissa de Sphere.

- Rainha de Sphere??? Eu… não sabia… perdão por minha indelicadeza. – Disse Elincia envergonhada.

- Hahahah! Não se preocupe, criança. Não é nada além de um título. – Disse a jovem de cabelos negros sorridente.

- Você deve estar deveras cansada. Todos os acontecimentos recentes e a viagem devem tê-la esgotado. – Disse o rei a Elincia – Sugiro que descanse esta noite e aproveite nossa hospedagem, amanhã pela manhã poderemos conversar melhor.

- Obrigada, majestade, é muito gentil de sua parte. – Agradeceu a jovem princesa.

- Com relação ao seu escorte – Disse o rei adivinhando os pensamentos da jovem – providenciarei para que sejam trazidos para cá o mais breve possível.

- Muito obrigada! – Agradeceu novamente com um largo sorriso.

- Eu desejaria que esse breve fosse bem breve, Caineghis. – Interrompeu a rainha de trajes negros – Não gosto nem um pouco da idéia de dois dos quatro cavaleiros de Daien estarem nas proximidades daquelas crianças. E a forma com a qual mestre Greil dispensou meus serviços não me agrada nem um pouco.

- Entendo sua preocupação. – Respondeu o rei – Ranulf, importa-se em me acompanhar numa viagem ao castelo Gebal esta noite? Desejo conversar com Greil pessoalmente o quanto antes.

- Será uma honra, majestade. – Respondeu Ranulf.

- Giffca, você fica encarregado do castelo. Melissa, você conhece tudo, ajude a princesa Elincia no que ela precisar, tudo bem?

- Como quiser! – Respondeu a jovem – E obrigada!

Melissa pegou Elincia pelo braço e saiu com ela do recinto. As duas tomaram um banho relaxante na fonte térmica do castelo, depois se alimentaram como Elincia não comia desde que fugiu de seu castelo e, por fim, seguiram ao dormitório. Elincia se sentou na cama e Melissa se ofereceu para pentear-lhe os cabelos.

- Acha que eles estão bem? – Perguntou a princesa.

- Sim, a essa hora já chegaram ao castelo Gebal, devem estar descansando.

- Desculpe-me a intromissão, mas o que a rainha dos imortais faz aqui em Gallia? Não é por mal, mas…

- Hahhahaha!!! Tudo bem, isso sempre assusta as pessoas. Sphere tem cinco reis, cinco governantes, cada um responsável por um pedaço do território. Quase como se fosse um grande império dividido em reinados, mas sempre unidos. Sou responsável pelo pedacinho de Sphere que faz divisa com Tellius, um lugar chamado Shin Makoku e outro lugar chamado Terra. Esses dois últimos são muito distantes e nenhum morador de Tellius nunca chegou lá.

- Meu pai me contava histórias de Sphere, como era uma grande nação, mas nunca imaginei a imensidão dela.

- Quando se vive muito, consegue ir a lugares mais distantes. Mas é um desafio também, cuidar das fronteiras.

- Por isso que está aqui? Por que Daien pode invadir?

- Não. Ashnard não seria tolo o bastante em tentar invadir Sphere. Estou aqui porque acho que aquele rei maluco é um perigo para toda Tellius. Nós de Sphere não temos intenção de interferir em Tellius, mas a ganância e o desejo de poder de Ashnard me preocupam. Eu pretendia assistir aos eventos de fora, mas quando Greil se envolveu tudo mudou.

- Conhece lord Greil há muito tempo?

- Desde antes de Ike nascer. Eu estava perto quando ele e Elena, mãe de Ike se apaixonaram. Eu tinha muito amor por Elena, depois que ela se foi esse sentimento se transformou em um enorme respeito por Greil. De longe acompanhei o crescimento dos filhos deles, até agora…

- Deve ser difícil ser imortal, ver as gerações passarem, pessoas amadas envelhecerem e morrerem enquanto você permanece estática.

- Nós não somos imortais. Os Eternos, como vocês nos chamam, apenas não envelhecem tão rápido, nem morrem tão fácil como vocês. No fundo somos só mais resistentes, mas isso a gente conversa depois. Você precisa descansar agora, durma!

Elincia se deitou e, segundos depois já estava dormindo. Melissa se apoiou na janela, observando a lua cheia. “É difícil sim, deixar as pessoas que amamos partir deste mundo” pensou.

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8. Forte Meritenne

abril 26, 2009 at 10:33 pm (FE - Path of Radiance, Parte 1)

Os mercenários caminharam pelo trajeto de volta durante toda a manhã. O sol já estava alto quando finalmente Ike parou para conversar com o grupo.

- Eles não estão por aqui também…

- Ike, procurá-los mais adiante pode ser perigoso. – Alertou Soren – Acho que no momento a melhor coisa que temos a fazer é retornar à Gallia. É possível que o comandante tenha utilizado outro caminho até Gallia. Devemos considerar esta hipótese.

- Você tem razão… – Admitiu o jovem líder – Sermos mortos enquanto procuramos por eles seria um desperdício de tudo o que eles arriscaram ao nos separarmos. Acho que tudo que temos a fazer é confiar que eles estão bem e retornar.

- Ike! – Chamou Titania com a atenção longe da conversa deles – Logo à frente tem um forte. Agora a pouco, apenas por um momento… achei ter visto alguém. Devemos investigar?

- O que? Mesmo? – Perguntou um pouco entusiasmado – Vamos até lá dar uma olhada.

O grupo seguiu para o forte, que não tinha nenhum sinal de presença no exterior. Eles entraram e seguiram em frente silenciosamente.

- Aparentemente este local está abandonado há muito tempo. – Comentou Soren.

- Não tem ninguém aqui… – Disse Titania desolada – Eu podia jurar que vi uma silhueta, mas… acho que deve ter sido algum truque de luz…

- Vamos dar uma olhada rápida ao redor. – Sugeriu Ike – Se não encontrarmos nada seguiremos de volta para Gallia.

Mas mal o menino terminara de falar e um soldado apareceu correndo vindo de uma sala à direita, os avistou e gritou: “Eles estão aqui!!! Encontrei os mercenários de Crimea!!! Cerquem-os!!!”. Antes que Ike pudesse decidir entre sair e permanecer, os mercenários viram soldados de Daien aparecerem por todos os lados. Agora não havia mais escolha, tinham que lutar se quisessem sair de lá.

O grupo estava praticamente cercado, precisariam abrir uma grande vantagem para poder saírem de lá. Deste modo acabaram se dividindo em dois. Ike avançava com Soren e Titania ao seu lado enquanto Oscar, Boyd e Rhys seguiam em outra direção. Logo após o início da luta, enquanto seguia pelo corredor leste, Ike viu uma garota praticamente da idade dele, derrotando soldados e vindo em sua direção.

- Por acaso seu nome não é Ike, é? – Perguntou a jovem de profundos olhos verdes.

- Sim, é mas… quem é você?

- Meu nome é Mia. Sou uma mercenária contratada por Crimea para ajudar no exército.

- Uma mercenária no exército? Então, o que você está fazendo aqui?

- Fui descuidada e acabei sendo capturada. Eles estavam prestes a me mandar para o campo de prisioneiros quando Greil me salvou.

- Você viu meu pai? Onde? – Perguntou o rapaz esquecendo-se da luta e voltando a atenção para a menina.

- Um pouquinho a norte daqui. Não muito longe.

- Mesmo? Então ele está bem… – Disse aliviado.

- Me diga, quem exatamente são vocês?

- Nós somos os Greil Mercenaries. Como pode ver, estamos lutando contra Daien.

- Huummm… Vocês estão enfrentando um batalhão inteiro apenas com este grupo? Legal! Fechou então.

- Fechou o quê?

- Esta batalha. Vou juntar forças com você. Não se importa, não é?

- Por mim tudo bem, mas… Não sei se você será paga só porque eu deixei você lutar.

- A gente se preocupa com os detalhes depois! Ótimo, fechou de verdade. Qual próximo passo, chefe?

Ike apontou para os soldados e eles se separaram. Ike não sabia em que pensar, na alegria de saber que o pai estava bem, na garota estranha que acabara de se juntar a eles ou em como iam fazer para sair dali. A luta seguia bem, todos estavam se acostumando com o estilo dos inimigos, até que, do outro lado da sala, viram uma mulher com armadura negra se aproximar a cavalo com uma enorme lança.

- Hahahhaha… Finalmente encontrei vocês. Vocês me providenciaram mais diversão do que eu achava que iriam. – Disse alto de modo que todos podiam escutá-la.

- Quem é você? – Perguntou Ike.

- Eu? Eu sou General Petrine e minha chegada significa o seu fim!!! – Anunciou engrandecendo-se – Lamento seu azar, criança, mas toda esperança acaba aqui. Vocês não vão sair vivos daqui.

- Petrine… Dos Quatro Cavaleiros? – Desembuchou Soren com expressão assustada.

- Você conhece ela, Soren? – Ike perguntou ao amigo.

- Ela deve ser uma dos quatro generais que o rei de Daien mais confia. – Respondeu o mago – Dizem que ela manipula uma lança de chamas com terríveis poderes arcanos.

- Hahhahaha… você ouviu falar de mim? – Perguntou orgulhosa. – Estou lisonjeada. Vou tentar pegar leve com vocês. Me entreguem a princesa, e façam isso agora. Se eu queimar a garota junto com vocês não vou ter como entregar a cabeça dela para vossa majestade.

- Desculpa dizer isso, mas a princesa não está aqui. – Respondeu Ike determinado – Ela está em Gallia já faz um tempinho.

- O quê? Espera que eu acredite num absurdo desses? Não tem como vermes mercenáros como vocês terem passado pelas minhas tropas! – Gritou furiosa.

- Dizem que a arrogância cega o campo e trás a destruição em si. – Disse uma voz austera vindo da entrada oeste – Alguma coisa me diz que estavam falando sobre você.

- Quem…?

Antes que a arrogante amazona pudesse perceber, Greil, Gatrie e Shinon invadiram a sala derrotando todos os soldados que apareciam na frente. Eles seguiram em direção a Petrine e somente pararam quando ela estava perto o suficiente.

- Pai! – Gritou Ike tentando se aproximar.

- O que está fazendo voltando aqui, menino burro?

- Nós levamos a princesa em segurança para Gallia. Quando vocês não se juntaram a nós, decidimos procurar por vocês. A missão não estaria completa até que voltassem.

- O que vou fazer com você? – Perguntou o pai – Mas ainda assim, fez bem. Bom trabalho, Ike.

- Há! Me ignorar mostra que vocês tem mais coragem do que as pessoas normais. – Interferiu a amazona – Então você é o comandante? Humph! Eu estava esperando um grande herói. Você é só mais um homem ordinário.

- Eu sou? – Desafiou Greil.

- Hahahahaha! Sabe de uma coisa, acho que vou ficar com você! – Disse a mulher – Vossa Majestade, bem… Digamos que ele gosta de homens fortes. Sim, acho que você vai ser um grande brinde. Você não precisa vir quietinho, mas vou deixar você vivo. Homens mortos não tem valor nenhum.

- … Então os rumores dos jogos doentios do rei Ashnard são verdade, não são? Shinon, Gatrie, eu vou distrair a mulher. Vocês dois pegam Ike e os outros e dão o fora daqui agora! – Ordenou o comandante.

- Entendido! – Respondeu Shinon.

- Mas, comandante! Não podemos deixar você aqui sozinho! – Questionou Gatrie.

- Idiota! Aquela mulher não é nada perto do comandante. Vamos, anda logo! – Disse Shinon afastando-se de Greil e seguindo em direção aos demais mercenários.

- Andem logo! Nos reencontramos em Gallia! – Ordenou Greil com tom bastante autoritário.

- Vocês não tem como escapar de mim. – Ameaçou Petrine – Nem você e nem seus pequenos amigos.

- Você disse que seu nome era Petrine, certo? – Greil chamou a atenção desafiando a mulher – Escuta aqui. Esse lugar nem de longe é grande o suficiente. Não tem espaço o suficiente para um combate entre nós dois. Eu vou para outro lugar. Você vem?

- Você realmente acha que vou ser enganada simples assim?

- Você e eu. Nós dois temos mais poder do que uma pessoa comum. Não é todo dia que uma chance dessa bate na nossa porta. Eu prefiro exercitar meus músculos sem nenhuma distração no caminho, e você?

- Hahahahha… Você realmente sabe como convencer uma garota, não é? Muito vem, estou indo. Soldados! Matem todos!

Os dois saíram pelo mesmo lugar por onde Greil chegou. Ike ficou desnorteado sem saber o que fazer por alguns segundos. Mas depois começou a espalhar a ordem: – Vamos nos reunir com Shinon e cair fora daqui. Vamos, com toda força!

Muito mais reforços de Daien apareceram, mas nada conteve os mercenários. Agora divididos em três grupos eles avançavam sobre os soldados procurando reunir-se em uma grande equipe novamente. Quando finalmente alcançou os amigos, Ike correu até eles preocupado.

- Encontrei você, Shinon. Está bem? Algum machucado?

- Eu pareço machucado? Estou bem como sempre. Você deve estar desapontado por Daien não me encher de buracos ainda. – Respondeu Shinon em um tom que Ike não sabia se era arrogante ou debochado – Está na hora de apertar o cinto e seguir em frente. Agora que tenho que carregar sua carcaça inútil por aí, preciso trabalhar duas vezes mais.

Como de costume, Shinon estava sendo desagradável com Ike. Titania escutou e pensou em interferir, mas tinha mais coisas a se preocupar. Quem levantou o espírito de Ike foi Gatrie, que se aproximou do rapaz e colocou sua grande e pesada mão sobre o ombro do garoto.

- Gatrie!

- Tudo bem, Ike? Ouvi que você levou a princesa até Gallia. Bom trabalho! Você é mesmo um herói. Mas… – Gatrie parou de sorrir e fez cara de bravo – Que diabos você pensa que está fazendo voltando aqui?

- Você pode achar que é besteira, mas eu estava preocupado com todos vocês. – Respondeu o garoto sinceramente, e pronto para outra represália.

- Awww… Assim você vai me fazer chorar, seu pirralho tonto! – Ike se assustou ao ver que aquele homenzarrão não estava zombando dele, os olhos de Gatrie estavam cheios de lágrimas – Tudo bem… sniff… Recomponha-se Gatrie. Esta noite, você e eu vamos dividir uma grande refeição e cantar uma ou duas músicas.

Por aquela Ike realmente não esperava. Ele ia pensar em responder quando viu Titania sair em seu cavalo pela mesma porta por onde seu pai e general Petrine passaram. Quase não havia mais inimigos na sala onde eles estavam, então Ike decidiu seguir a mercenária e logo todos estavam atrás dele.

A sala em que Petrine e Greil lutavam era enorme. Ike e os outros entraram correndo, mas Titania fez sinal para que parassem e somente assistissem.

- Maldição! O que é você, homem? – Gritava Petrine furiosa – Você parece um homem comum mas luta como se fosse um demônio!

- Qual problema? – Greil perguntou rindo – Pronta para se render?

- E admitir derrota? Eu? Não seja ridículo…

- Eles estão aqui! – Gritou um soldado que vinha da sala atrás de Petrine – Por aqui!

Logo a sala começou a encher-se de soldados inimigos.

- Droga! Reforços! – Exclamou Ike – Pai! Vamos sair daqui! Tem muitos…

- Parece que não tenho escolha… – Disse Greil voltando em direção ao grupo. Mas não havia por onde ir. Todas as entradas estavam cercadas. A sala agora se tornara pequena e eram cerca de dez soldados para cada mercenário.

- Hahahhaha… Então agora a sorte mudou de lado, não é? – Disse Petrine satisfeita – Todas as tropas, ataquem! Mate todos! Mate todos!

- Hummm… Parece que estamos mesmo sem sorte. – Resmongou Greil para o filho – Você tem que sobreviver a isso, Ike! Eu não vou perder você, não neste lugar. Você está pronto?

- Sim, Comandante! – Respondeu o rapaz segurando firme a espada.

- Vocês não tem para onde ir! – Provocou Petrine – Amaldiçoe todos os deuses que os protegem, eles abandonaram vocês!

Mas talvez não tivesse abandonado. Mal Petrine terminou de falar e vários grunhidos nervosos puderam ser escutados por todo o prédio. Os soldados de Daien começaram a tremer e olhar para os lados.

- O que foi isso? – Ike pensou alto.

- B-b-bestas!!! – Gritou um soldado – Os guerreiros bestas de Gallia!

- Corram!!! Seremos massacrados!!!

- Parados, todos vocês! – Ordenou Petrine – Sem pânico!!! Eu vou pessoalmente estraçalhar o primeiro homem que virar de costas para o inimigo!

Mas os soldados que estavam mais distantes de Petrine não deram ouvidos. Saíram desesperados por todos os lados de modo que apenas os mais próximos à general se mantiveram no lugar.

- Pfeh! Covardes inúteis!

Rapidamente, alguns voltaram para a sala desarmados e gritando.

- As bestas! As bestas estão aqui!

E estavam mesmo. Diversos tigres e panteras invadiram o local. À frente deles, uma pantera azul se transformou no que parecia ser um humano um pouco mais peludo e com rabo e anunciou com autoridade.

- Atenção, soldados de Daien! Deixem este lugar imediatamente! Se não obedecerem irão enfrentar toda a força dos guerreiros de Gallia!

- Podem me ameaçar o quanto quiser. – Disse Petrine sem se mover – Não vão me assustar só com isso. Se eu partir, Vossa Majestade mandará me executar. Prefiro morrer aqui, na batalha, com a minha honra intacta.

Mal a general terminou de pronunciar suas palavras e escutou-se passos pesados vindos em direção ao grupo. Todos se voltaram para o lado e um grande homem, com armadura negra, sem visíveis aberturas entrou no recinto.

- Recue, General Petrine! – Ordenou a voz metálica.

- Black Knight… – Disse.

- Quanto ao seu rei, não há nada a temer. Explicarei os acontecimentos a ele. Pegue seus homens e parta!

Sem questionar a general virou-se com seu grande cavalo e partiu com seus soldados aliviados. Black Knight permaneceu parado onde estava, olhando para o grupo, olhando para Greil.

- Ele está encarando o senhor, não está, pai? – Perguntou Ike sem entender a situação.

- Sim, ele está. – Respondeu Greil encarando de volta.

O clima estava pesado. Ninguém se mexia, ninguém dizia nada. Como uma névoa, um vulto negro se aproximou de Greil e se transformou em uma mulher, com a pele branca como lírio e cabelos e vestes tão negros quanto a armadura do inimigo. Ela se colocou à frente de Greil e disse como se olhasse nos olhos do Black Knight.

- Se pretende fazer algum movimento, esteja certo de que enfrentará todos aqui de uma só vez!

A grande armadura nada disse. Apenas virou-se de costas e desapareceu nos corredores. A mulher virou-se para Greil e ele a repreendeu com o olhar. Ela passou por ele e seguiu por onde os soldados de Daien entraram.

Logo todos estavam saindo do forte. Ao ver seu pai e irmão, Mist correu em direção deles para um forte abraço. Logo atrás dela vinham princesa Elincia e Rolf.

- Mist! Princesa Elincia… por que estão aqui? – Perguntou Ike preocupado.

- A princesa nos encontrou e pediu ajuda para o seu grupo de mercenários. – Respondeu o líder do grupo feral – Por isso viemos.

- Você é um dos sub-humanos de Gallia? – Perguntou Ike.

- Sub-humano? Que arrogância a sua em me chamar assim estando presente. – Questionou nervoso – Acha que só vocês são valiosos o suficiente para serem chamados de humanos? E nós laguz somos tão inferiores que devemos apenas servir a vocês?

- Me desculpe… – Pediu Ike sem jeito – Eu não conhecia outro nome para vocês. Eu te ofendi, peço desculpas. Como devo dizer? Laguz? Assim é mais apropriado?

- Huh? Você mostra modos agora? Que estranho, gostei disso. Agora… que são vocês, exatamente?

- Meu nome é Ike. E nós somos os Greil Mercenaries.

- Eu sou Ranulf, guerreiro de Gallia. Nós não sabíamos o que pensar quando vimos um grupo de beorc andando perdido pelos nossos campos… Imagine nossa surpresa ao ouvir que um deles era a princesa Elincia. Realmente foi um choque. Dois dias atrás Daien proclamou sua conquista. Pensamos que toda realeza de Crimea estivesse morta.

- Conquista? Eles assumiram Crimea? – Perguntou Ike surpreso – Isso significa que…

- Eu também recebi estas notícias de Ranulf… – Interrompeu Elincia – Depois que fugi da capital… meu tio Renning… ele… eu… eu estou sozinha agora…

- Princesa Elincia… – Ike tentou consolá-la, mas a jovem de cabelos negros de antes a segurou num forte abraço.

- Foi por isso que nosso rei ordenou patrulhamento extra na fronteira. – Continuou Ranulf – Se não fosse por isso não teríamos encontrado a princesa. E se não fosse seus aliados não encontraríamos vocês aqui também.

- Entendo… – Comentou Ike.

- Vamos ao prático agora. Antes de tudo, preciso apresentar a princesa Elincia ao nosso rei. Quanto ao restante de vocês, Ike, preciso de uma autorização dos meus superiores. Até lá vocês podem descansar em um antigo castelo dentro de Gallia.

- Entendo. Comandante, isso não será um problema, não é? – Perguntou Ike virando-se para o pai que estava atrás dele, mas distraído – Comandante?

- Huh? O que foi? – Perguntou Greil.

- O que foi? Você não estava prestando atenção? Isso não é do seu estilo. – Ressaltou Ike.

- Eu estava pensando sobre outras coisas. – Disse o comandante voltando ao mundo real e observando o cenário ao redor – Então, o que vocês decidiram?

- Princesa Elincia vai ao palácio com Ranulf. – Respondeu Ike – Nós vamos para Gallia e aguardamos em um antigo castelo. Qual o caminho do castelo, Ranulf?

- Eu prepararei um guia para vocês.

- Não, não precisa. – Interrompeu Greil – Se é próximo podemos atravessar o rio e chegar lá. É Castelo Gebal, não é? Pode ir na frente. Leve a princesa para o rei Caineghis o mais rápido possível.

- Entendido. – Disse Ranulf – Sem, querer parecer presunçoso, posso pedir para levar comida para vocês mais tarde.

- Nós apreciaríamos muito. – Disse Greil – A viagem foi pesada e só tivemos tempo de trazer alguma carne salgada e biscoitos duros.

- Providenciarei isso então. – Continuou Ranulf – Princesa Elincia, podemos ir?

- Fiquem bem, meus amigos. Nós veremos em breve, não é?

- Tome cuidado! – Aconselhou Ike.

Greil não respondeu. Assim que os dois viraram as costas ele chamou.

- Melissa! Você fica de olho na princesa. Não a deixe sozinha.

- O quê? – Exclamou a jovem de cabelos negros que Ike vira hoje pela primeira vez – Você só pode estar brincando!

- Não, não estou! Você mesma disse que Gallia era o lugar mais seguro no momento e que todo esforço de paz é válido. Então pare de me questionar!

- E o Black Knight? – Perguntou a jovem abaixando a voz – O palácio é longe demais para eu chegar em Gebal num salto…

- Isso é problema meu. Agora vai!

A garota virou de costas e seguiu em direção a Ranulf e Elincia descontente. Greil ordenou a todos que se preparassem para partir. Enquanto eles não chegavam, Ike aproveitou a chance para falar com o pai.

- Pai, quem era aquela pessoa?

- O nome dela é Melissa. Uma pessoa em que você pode confiar cegamente, ainda que seus olhos desconfiem do que vêem. Ela será de grande ajuda a você no futuro.

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7. Atravessando a fronteira

abril 21, 2009 at 1:23 am (FE - Path of Radiance, Parte 1)

Após se dividirem em dois grupos, Ike e os mercenários seguiram até o final da floresta, onde um riacho representava a fronteira entre Crimea e Gallia. Para a surpresa do grupo, do outro lado do rio havia um bloqueio feito por soldados de Daien.

- Então, eles realmente estavam esperando por nós… – Disse Ike ao ver os soldados, ainda dentro da floresta.

- Tem… muito mais soldados do que eu imaginava. – Disse Soren preocupado – Pensei que eles tivessem sem espalhado por toda a borda da floresta, não esperava ver tantos deles em um só lugar.

- Devemos repensar nossa estratégia? – Perguntou Ike.

- Não, nós já nos separamos – Respondeu o mago – É tarde demais para reconsiderar.

- Não tem pelo menos uma forma de levar a princesa, Mist e Rolf para lá com segurança? – Perguntou Ike.

- Tem duas pontes… E os arbustos levam para próximo da ponte a oeste. Se pudermos usar as árvores como cobertura, podemos ser capazes de alcançar a ponte sem sermos detectados. De lá, nós lançamos um ataque surpresa. Enquanto prendermos a atenção do inimigo, a princesa e os outros podem cruzar a ponte com segurança. – Soren explicou a estratégia que acabara de elaborar.

- Não temos tempo para pensar em alternativas, vamos seguir com este plano. – Afirmou Ike.

- Lord Ike… – Chamou a princesa – Eu vou lutar com você!

- Não, não vai. – Exclamou o rapaz incisivo – Não vou deixar você expor a si mesma a nenhum tipo de perigo. Todos aqui estão arriscando suas vidas para garantir a sua segurança. Se você entender isso, vai cooperar e fazer o que digo.

Por um momento a princesa ficou angustiada com a atitude de Ike, mas compreendeu a preocupação dele. Entendo… – Disse – Farei minha parte.

- Muito bem então! – Interrompeu Titania.

- Certo! Vamos quebrar a defesa deles! – Disse Ike – Mist! Rolf! Cuidem da princesa. Cuidado para não serem vistos!

- Certo! Todos vocês, tomem cuidado! – Pediu a irmã.

As crianças e a princesa seguiram de volta para dentro da floresta, enquanto Ike e os mercenários seguiram para enfrentar os soldados inimigos. Rolf subiu na árvore mais alta que encontrou para poder observar melhor a batalha, de lá ele dava informações às meninas do que estava acontecendo. Do alto, Rolf pode conhecer um pouco mais da intimidade e confiança de batalha de seus amigos. Titania e Oscar sempre abriam caminho e chamavam a atenção a si com seus grandes e rápidos cavalos. O machado de Titania nunca errava um alvo e a lança de Oscar parecia ficar mais certeira a cada inimigo. Atrás deles, Ike e Boyd seguiam confiantes. A força dos dois era impressionante, a maior parte dos inimigos caía com um ou dois golpes. Por fim, Soren, usando Ike como escudo, atacava à distância e Rhys seguia logo atrás, para ajudar caso alguém se machucasse. Rolf estava um pouco confuso com tantas coisas acontecendo, até que pareceu ouvir o vento dizer “Agora!”. Imediatamente ele desceu da árvore, encaminhou as duas garotas pela ponte oeste e, sempre escondidos, passaram por detrás dos soldados sem serem vistos. Mesmo depois de passarem pela barreira, os três ficaram escondidos por um bom tempo, até que os outros apareceram. Já começava a escurecer, então decidiram acampar no início de outra floresta que parecia surgir.

Ike passou a noite em claro, preocupado com seu pai e os companheiros. Aos primeiros raios de sol, todos estavam despertos e reunidos.

- Acredito que não conseguiremos descansar até que os outros se reúnam a nós. – Afirmou Soren expressando os sentimentos de quase todos presentes.

- Estamos falando do comandante. – Disse Titania confortando o grupo – Não acho que precisemos ficar preocupados.

Apesar das palavras confiantes da mentora, Ike não se sentiu confortado. Levantou-se e se dirigiu à princesa.

- Princesa Elincia, receio que teremos que nos separar aqui. – Disse determinado.

- Como assim? – Perguntou a jovem preocupada.

- Nós vamos voltar para ajudar nossos companheiros. – Respondeu – Quero que continue o caminho com Mist em direção ao palácio real de Gallia.

- O quê? Não! – Pestanejou a irmã mais nova – Eu vou ficar com você!

- Me escuta, Mist! A gente tem que fazer assim para que todos saiam dessa vivos! O pai e eu vamos buscar você assim que nos encontrarmos! Não se preocupe. Alguma vez nós quebramos uma promessa com você?

- Bem… não. – Respondeu a garotinha com os olhos cheios de lágrimas – Tudo bem. A gente vai na frente.

- Obrigada, Mist! – Agradeceu Titania – Nós vamos nos reencontrar em breve.

- Tudo bem, Titania. Por favor, toma conta do meu irmão, promete?

- Você tem a minha palavra.

Há alguns passos dali, os três irmãos também estavam reunidos.

- Oscar… Boyd… Não vão morrer por lá, tá bom?

- Rolf… – Oscar não tinha palavras para dizer ao caçula. Desde que seus pais morreram, tudo que Oscar fez foi em função dos irmãos. A missão de proteger a princesa é a única que ele não tem certeza do sucesso. Arriscar a si mesmo e a seus irmãos nunca fora sua intenção.

- Parem com isso, vocês dois! – Gritou Boyd tentando desfazer o excesso de emoção no ar – Vocês parecem duas velhas. Nós vamos ficar bem. Nada de mal vai acontecer enquanto eu estiver por perto.

Rolf se convenceu, lembrando das duas vezes que vira os irmãos lutando, sempre juntos, sempre protegendo um ao outro. Ike tentou partir sem se despedir como seu pai fazia, mas não conseguiu. Todos trocaram desejos de boa sorte e, por fim, se separaram.

Longe dali, uma pessoa observava as atitudes dos mercenários. “Garoto cabeça-dura como o pai e coração-mole como a mãe. Ele vai dar trabalho. Talvez esteja na hora de começar a interferir de vez, ou estas crianças estarão perdidas antes de atingirem o objetivo real da missão.”

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6. Aviso

abril 20, 2009 at 2:40 am (FE - Path of Radiance, Parte 1)

Greil, Shinon e Gatrie seguiram em direção a leste por um tempo até saírem da floresta. Havia soldados de Daien vigiando por toda a parte. O plano era simples e sempre funcionava: Gatrie chamava a atenção deles, Greil vinha por trás atacando ferozmente e Shinon surpreendia com suas flechas certeiras. Foram horas a fio de combate, até que os soldados pararam de aparecer. Exausto, Gatrie sentou bruscamente no chão com sua pesada armadura, fincando a grande lança ao lado.

- Ah! Esses caras não são de nada, mas são tantos que chega até a cansar.

- Levante-se! Não temos tempo para isso, o alvo principal ainda está à frente. – Ordenou Greil.

- Tem mais??!! – Perguntou Gatrie surpreso – Como assim?

- Mais para frente tem um antigo forte abandonado que costumava proteger a fronteira de Gallia. Daien não estaria com um grupo tão numeroso sem uma base local. – Respondeu o comandante.

- Então vamos invadir o chiqueiro dos porcos? Isso vai ser divertido! – Comentou Shinon.

O grupo viajou por mais algumas horas, até que finalmente puderam avistar o forte que Greil dissera.

- Vamos descansar aqui e nos preparar, quando a lua estiver alta atacaremos, será mais prudente atrasá-los sem enfrentar todos eles.

Gatrie e Shinon não fizeram perguntas, conheciam os riscos da missão e isso os inspirava mais a ficarem concentrados e seguir adiante. Todos se alimentaram bem, descansaram e conferiram as armas. Já havia escurecido e Greil se levantou para dar uma última verificada, quando uma voz feminina veio do interior da floresta: – Não aconselho vocês a entrarem ali.

enchantedOs três, que não haviam percebido a presença de ninguém se aproximando, pegaram rapidamente suas armas e apontaram em direção da voz, que surpreendente era de uma garota ruiva, sentada à beira de uma árvore, iluminada por insetos. Shinon foi o primeiro a falar em tom ameaçador.

- Quem é você? O que faz aqui?

- Apenas tentando evitar ter que cumprir uma promessa que fiz. – Respondeu a jovem olhando diretamente ao comandante.

- Bom saber que você levou aquilo a sério. – Disse Greil abaixando o machado e fazendo sinal para os outros abaixarem suas armas também.

- Conhece essa deus… quer dizer… essa moça, comandante? – Perguntou Gatrie fincando a lança novamente no chão.

- Sim. Ela é de confiança, não se preocupem. – Respondeu ele se aproximando da moça – Belo disfarce, quase me enganou.

- Obrigada! – A moça sorriu – Desde o massacre na floresta dos herons têm ficado cada vez mais difícil andar tranquilamente por aí, sempre aparece uns caçadores irritantes.

- Vá direto ao assunto, rainha, estamos com um pouco de pressa.

A jovem bufou e franziu a testa por ter sido chamada de rainha de novo, mas desistiu de brigar novamente por causa disso.

- Ainda precisa falar? Dentro daquele forte tem cerca de 100 inimigos para cada um de vocês, sem contar na presença de um dos Quatro Grandes Generais.

- Então o rei de Daien ainda mantém a tradição dos Quatro Generais? Bom saber, isso deixa a festa um pouco mais divertida. – Disse Greil.

- Pela Deusa!!! – Exclamou a jovem incrédula – Esses caras não se comparam aos Generais de vinte anos atrás. Eles são malucos, cruéis e doentes por destruição. Você não precisa fazer isso para proteger a princesa e o outro grupo! Ao ouvir estas palavras, Gatrie e Shinon voltaram a ficar alerta.

Shinon pegou novamente seu arco e apontou para a moça.

- Como sabe disso? Há quanto tempo está nos seguindo? – Interrogou.

- Desde que partiram. – Respondeu a jovem enquanto, com o movimentar de um dedo, transformava a flecha de Shinon numa rosa negra.

- Você mesma disse que não haverá paz enquanto ele não for parado. – Disse Greil ignorando as ações de Shinon – Vou fazer o que acho que devo fazer e não vou cair aqui. Não preciso de sua vigilância.

A jovem encarou o comandante Greil por alguns segundos até finalmente ceder.

- Cabeça-dura demais… Muito bem, como quiser, vou voltar para próximo das crianças. Se eu fosse você, antes de invadir o castelo daria uma olhadinha no norte da estrada, talvez você encontre pessoas interessantes… – E desapareceu tão silenciosamente quanto apareceu.

Greil voltou para buscar o machado, quando Gatrie, sem conseguir controlar a curiosidade, perguntou: – Comandante, o que foi aquilo?

- Uma Eterna, amiga da minha falecida mulher. Vamos, temos muito trabalho a fazer. – Greil não tinha intenção de prolongar a conversa. Em silêncio eles seguiram adiante.

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5. Divididos

abril 19, 2009 at 1:32 am (FE - Path of Radiance, Parte 1)

Era uma longa viagem do forte dos mercenários ao castelo de Gallia. O território de Crimea e Gallia era dividido por uma grande cordilheira e uma imensa floresta, tão fechada que a luz do sol pouco passava por ela. Elincia ficou admirada como um grupo com pessoas tão jovens era capaz de agüentar tantas provações naturais sem pestanejar, bom ao menos quase todos. Dois dos mais velhos e experientes mercenários do grupo eram os únicos que reclamavam constantemente da situação. Gatrie sempre queria se livrar de sua armadura e Shinon ainda não aprovava nem um pouco a idéia de viajar para Gallia. Ike procurava durante todo o caminho perguntar e conhecer mais sobre as criaturas ferais que iriam encontrar e sua cultura. Elincia, Mist e os outros também interagiam, cada um auxiliando o outro à sua maneira. Por fim, após dias de viagem em mata fechada, eles finalmente encontraram uma clareira. Mas antes de se aproximarem dela, Greil reuniu novamente o grupo.

- Atenção todos! Estamos chegando ao final da floresta. Preparem-se. Formação de combate.

- Duvido que nossos perseguidores nos deixem fugir assim tão facilmente. – Comentou Titania.

- Sem dúvida eles atacarão novamente. – Disse Soren – Sem termos conhecimento do número deles é difícil definir como agir.

- Faça o seu melhor, Soren. – Solicitou Greil – Com as informações limitadas que temos, qual a melhor forma de seguirmos?

- … Alguns do nosso grupo não podem lutar. Se formos pegos nós teremos muitos problemas em protegê-los e atacar Daien. Proponho que nos separemos em dois grupos: uma pequena força-tarefa enfrentará o inimigo de frente e ganhará tempo para o outro grupo passar com maiores chances de proteger a princesa.

- Você quer dividir nossas forças de combate? – Questionou Oscar incrédulo – Com o grupo principal distante, você não acha que o risco para o grupo menor é muito grande?

- Eu acredito que a melhor forma de chegarmos ao nosso objetivo é manter o mínimo de casualidades. – Respondeu Soren friamente – É possível que haja uma armadilha para nós esperando no final da floresta. Se seguirmos sem nenhum plano podemos ser pegos agora e será o fim de todos nós.

- Parece que não temos opção além de arriscar. – Afirmou Greil imponente – Muito bem, vamos nos dividir. O time chamariz será Gatrie, Shinon e eu. O restante proteja a princesa Elincia e partam diretamente para Gallia. Entendido?

- Tem certeza que está levando pessoas o suficiente? – Questionou o filho.

- Criança idiota. – Interrompeu Shinon – Grupos menores significam melhor mobilidade. Você perderia menos tempo se estivesse preocupado com seu grupo ao invés de nós.

Ike não respondeu à grosseria do companheiro. Apenas abaixou os olhos e se afastou.

- Escutem! – Greil chamou a atenção de todos mais uma vez – Esta provavelmente será a maior luta que nosso grupo já se deparou. Lembrem-se: vocês só têm uma vida, não quero a morte de nenhum de vocês nas minhas costas. Em tempos como estes, não importa que laços de sangue temos. Nós somos uma família. Se você não quer causar nenhum problema para sua família, então viva! Ike comandará o grupo principal. Titania, você dará suporte a ele. Muito bem, mexam-se! Nos encontramos todos em Gallia!

Greil, Shinon e Gatrie partiram sem despedidas. Greil uma vez dissera ao filho que não havia necessidade de despedidas quando se tem certeza de haver um reencontro. Agora seriam três contra um exército, não havia certeza do reencontro, mas havia a esperança que o silêncio da partida trazia.

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4. A princesa de Crimea

abril 18, 2009 at 2:57 am (FE - Path of Radiance, Parte 1)

Um dia se passou desde que Ike trouxera a moça para o forte. Shinon ainda estava nervoso com a arrogância de Ike e Soren, mas o restante dos mercenários somente pensava na jovem e que notícias ela poderia trazer. No final daquela tarde, a moça acordara. Mist que estava cuidando diretamente dela, correu para avisar.

- Papai! Irmão! A moça que Ike resgatou… Ela acordou! – Chamou a garota com natural felicidade.

- Mesmo? – Perguntou Ike.

- Vamos! – Chamou Greil austero – Vamos dar boas-vindas à nossa convidada.

A moça estava sentada na cama, quando Mist, Ike e Greil retornaram.

- Então, como está se sentindo? – Perguntou Greil logo ao entrar.

- Oh, eu… Eu estou bem… Quem é você? – Perguntou a jovem ainda assustada.

- Meu nome é Greil. Sou o comandante desta companhia de mercenários. – Respondeu.

- Lord Greil… Foi o senhor quem veio a me socorrer? Não sei como agradecer…

- Espere um pouco. – Interrompeu Greil – Quem a encontrou e trouxe aqui foi meu filho, Ike. Se quer agradecer a alguém agradeça a ele.

- Não, por favor, não é… – Ike tentou se desviar.

- Lord… Ike, não é? – Continuou a jovem – Tem a minha gratidão. Ike ficou envergonhado, sem saber o que fazer, mas logo foi interrompido pelo pai.

- Desculpe minha brutalidade. – Disse Greil à jovem – Mas tenho algumas perguntas a fazer. Quem é você? O que fazia num lugar como aquele?

A jovem fechou os olhos e baixou a cabeça, mas Greil continuou.

- O lugar que Ike a encontrou era evidentemente um dos pontos de batalha entre os exércitos de Daien e Crimea. Você tem alguma relação com a família real de Crimea?

A jovem corara e seu coração disparara nervoso.

- Não posso prometer nada. – disse Ike – Mas talvez a gente possa te ajudar. Poderia partilhar sua história?

Ela olhou para os salvadores e, sentindo segurança, decidiu falar.

- Você me resgatou e cuidou de mim. Eu vou… confiar em vocês. Meu nome é Elincia Ridell Crimea. Eu sou a filha do rei Ramon de Crimea.

- O quê? – Ike deu um salto surpreso.

- Você disse que é a princesa de Crimea? – Perguntou Greil igualmente surpreso .

- Sim.

- Esta é uma estranha colocação. – Continuou Greil – Eu nunca ouvi falar no Rei de Crimea ter filhos.

- Isso… era de ser esperado. – Disse Elincia – Minha herança, minha existência, nunca se tornou pública.

- Por que isso? – Perguntou Ike.

- Para evitar um tumulto geral. – Respondeu a jovem – Entenda, eu nasci depois de meu tio, Lord Renning, ser nomeado sucessor do trono. Então…

- Eles mantiveram você em segredo para evitar uma briga de sangue. – Completou Greil – Bem, sou capaz de aceitar isso no momento. Muito bem, vamos supor que você realmente é a Princesa de Crimea, você deve saber o que aconteceu com seu pai e tio. Eu gostaria de ouvir as notícias.

- … Meu pai e minha mãe estão mortos… – Disse a princesa com olhar ao chão – Foram assassinados pelas mãos de Ashnard, Rei de Daien… Meu tio e os cavaleiros reais ainda estão lutando junto ao exército, eu acredito.

- Entendo. – Disse Greil austero.

- … Eu… fugi do castelo… para seguir as ordens de meu tio e procurar refúgio no reino de Gallia…

- Em Gallia? – Perguntou Greil curioso. – Sim… nós acreditamos que o Rei Caineghis aceitaria me asilar. Era para lá que eu estava indo… mas fomos descobertos pelas tropas de Daien e eu perdi os cavaleiros que me escoltavam… Minha vida, a vida que tenho agora, foi preservada com o sangue daqueles bravos cavaleiros…

- O rei de Daien sabe de sua existência? – Questionou Ike.

- Sim. Me disseram que a realeza de todas as nações foram informados de minha existência devida dura circunstância…

- Neste caso eles devem estar procurando exaustivamente por você. – Comentou Greil.

Um silêncio momentâneo dominou o ambiente, até ser quebrado pela princesa.

- Mestre Greil, lord Ike, vocês afirmaram que são mercenários, não é? Por favor… me auxiliariam a alcançar Gallia? Eu imploro! Não tenho… não tenho mais ninguém a quem possa recorrer!

Greil pedira para a princesa descansar um pouco enquanto conversava com sua equipe. Enviou Ike para convocar os mercenários enquanto refletia sozinho sobre a situação. Lembrara do conselho que ouvira poucos dias antes: “Todo esforço para se restabelecer a paz é válido e deve receber confiança.”. Se esta jovem realmente fosse princesa de Crimea, com a ajuda dos ferais de Gallia, talvez a paz pudesse ser restabelecida antes do que ele imaginava. Greil olhara para fora, em busca da iluminação do sol, quando vira uma legião de soldados em armaduras negras, quase simultaneamente aos gritos do pequeno Rolf, o mais jovem dos três irmãos de cabelos verdes.

- Nós temos problemas! – Gritava o menino de pouco mais de 10 anos – Lá fora! Tem soldados! Um monte deles!

- O quê? – Ike exclamou assustado enquanto Greil se aproximava.

- Estão todos aqui? – Questionou Greil.

- Sim. – Respondeu Titania.

- Comandante, o que esses cães de Daien estão dizendo? – Perguntou Shinon impaciente.

- “Devolvam a princesa de Crimea e deixem a área imediatamente. Cooperem agora ou atacaremos.” Bem diretos.

- O que vamos fazer? – Perguntou Gatrie.

- Isso é o que vamos decidir aqui. – Respondeu o comandante. – Uma coisa ficou clara com a chegada de nossos amigos lá fora.

- Quer dizer que este ataque confirma a identidade da princesa de Crimea, não é? – Soren antecipou o raciocínio do comandante.

- Sim, mas o que faremos agora? Quero ouvir a opinião de cada um aqui. Titania, você primeiro.

- A culpa desta guerra é de Daien. – Disse a amazona decidida. – Se nós nos aliarmos a eles agora a reputação desta companhia ficará comprometida. Entretanto, se entregarmos a princesa em segurança, seremos bem visto pelos nossos empregadores primários. O caminho é claro.

- Soren, e quanto a você? – Continuou Greil.

- Não há nada o que pensar. – Disse no tradicional tom áspero – Devemos entregar a princesa a Daien imediatamente.

- Mesmo se Crimea está em jogo? – Questionou o comandante.

- Somos mercenários. – Respondeu o mago – Nossas ações são determinadas pelo nosso próprio interesse. Se queremos garantir nosso futuro precisamos que Daien tenha uma dívida conosco. Eles vão vencer essa guerra, afinal de contas, e nada é melhor para nós que isso.

- Shinon? Gatrie? – Greil mudou o rumo da conversa.

- Soren é um moleque pomposo e metido – começou Shinon – mas ele sabe o que fala. Além do mais, Gallia é um destino bastante questionável. Não me importa o quanto paguem para a gente, não tem nada que me faça me meter no território das bestas.

- Princesa Elincia… – Gatrie interrompeu o amigo – ela tem uma certa beleza real… tem muito o que se ver ali, entende. Mas acho que prefiro as garotas camponesas, um pouco rústicas mas sem frescuras… Ah! Esqueça que eu disse isso! O que você decidir está bom pra mim, Comandante.

- Oscar, Boyd, e quanto a vocês dois? – Perguntou o comandante.

- Concordo com a sub-comandante Titania. – Respondeu o irmão mais velho – Se entregarmos a princesa ao exército de Daien, estaremos dando permissão a eles para matá-la.

- Eu sou a favor de ajudar. – Disse Boyd, o irmão do meio – Isso é o que heróis devem fazer.

- Bem, Rhys, qual a sua opinião? – Perguntou Greil.

- Eu acho… – Disse o jovem curandeiro com voz doce – que não importa se ela é uma princesa ou não. Recusar a ajuda a alguém é algo que nunca devemos fazer. Isso é o que penso.

- É isso aí! – Rolf interrompeu animado – Vamos ajudar a moça!

- Por favor! – Pediu a pequena Mist ao lado do pai – A gente tem que ajudar ela!

- E quanto a você, Ike? – Continuou Greil.

- Eu concordo com Titania. Digo que temos que ajudar e dar escolta até Gallia.

- Certo. – Disse Greil guardando para si o orgulho que tinha de seus filhos – Acho que sei onde todos se posicionam. Bem, esta é minha decisão. Iremos escoltar a princesa até Gallia.

A frase fora visivelmente desaprovada por Soren e Shinon.

- Você tem certeza disso? – Perguntou Ike.

- Sim. – Respondeu o pai – Além disso, acho que a decisão não está mais em nossas mãos.

- Como assim? – Perguntou Ike. – Abram seus ouvidos e escutem. Escutem. Todos vocês.

- Huh…? – Boyd se manifestou – O que é?

- Uh… não escuto nada. – Disse Gatrie.

- Idiota! Esse é o problema! – Shinon deu um tapa na cabeça de Gatrie – Não acha isso muito estranho? Silencio completo, nas quatro direções.

- Ah! Disso que você estava falando! – Gatrie finalmente percebera.

- Não só os animais estão quietos, mas os insetos estão em silêncio também. – Complementou Oscar – Isso é um acontecimento fora do natural. O que significa…

- Que estamos cercados. – Finalizou Ike – Os soldados não estão esperando por uma resposta. Eles já decidiram atacar.

- Aparentemente eles não tinham a intenção de manter a palavra deles na negociação. – Comentou Titania.

- Eles estavam planejando nos colocar num falso sentimento de segurança e destruir a todos nós. – Disse Soren levemente nervoso.

- Provavelmente. – Complementou o comandante – Mas a questão é que não somos tão inocentes ou inexperientes para cairmos na armadilha deles. Todo mundo em suas posições! Vamos resolver isso agora!

Mist e Rolf subiram para o quarto da princesa no segundo andar. Elincia abraçava os dois enquanto via pela janela o restante dos mercenários saírem da casa principal e se dividirem pelas três entradas do forte. A casa principal era bastante longe das muralhas, portanto não corriam risco de uma flecha, lança ou magia chegar até eles, mas ainda assim eles mantiveram as janelas com os vidros fechados e assistiam escondidos. Mist tremia, o medo era visível em seus olhos, Elincia a abraçava mais forte, tentando passar uma sensação de proteção.

Lá embaixo, comandante Greil fora sozinho proteger a entrada da direita, um pouco mais estreita e distante que as demais. Os irmãos Oscar e Boyd, juntamente com Shinon, seguiram para a entrada da esquerda. Gatrie, Titania, Soren e Ike protegeriam a entrada principal e Rhys permaneceria entre os dois grupos, para dar assistência quando solicitado.

Pela primeira vez Mist e Rolf puderam ver seus irmãos em um combate. Mist se exaltava cada vez que um soldado se aproximava de Ike, Rolf torcia animado e gritava incentivando. Elincia tinha medo que o grupo se machucasse, sentia que não se perdoaria se alguém ali sofresse por culpa dela. A batalha se prolongou por muito tempo até que, depois de ter quase todos os soldados derrotados, Daien decidira bater em retirada. Os três respiraram aliviados quando viram o grupo se afastar, todos orgulhosos do trabalho que acabaram de ver.

Minutos depois as entradas foram trancadas e todos voltaram para a casa principal. Mist, Rolf e Elincia correram para a entrada da casa e logo se encontraram com Greil e o grupo.

- Não temos tempo para descansar! – Ordenou Greil com autoridade – Todo mundo empacotando as coisas agora! Vamos partir antes que o inimigo traga reforços!

- Entendido! – Respondeu Oscar que estava ao lado de Greil – Boyd! Venha comigo.

- Logo atrás de você, irmão!

- Ah! Temos que nos apressar também! – Disse a pequena Mist empolgada – Vamos, Rolf! Nós temos que embrulhar toda comida e suprimentos que pudermos!

- Uh, como quiser! Vamos, Mist!

Tão logo as crianças se afastaram e Greil já planejara a fuga.

- Titania! – Chamou – Pegue Shinon e Gatrie e encontre uma rota segura daqui até a grande floresta. Nós vamos para Gallia por dentro do mar de árvores.

- A caminho, senhor! – Respondeu a bela amazona.

- Rhys, você fica comigo. – Ordenou Greil ao jovem curandeiro – Quero que me ajude a guardar os documentos essenciais da biblioteca. Todo o resto nós queimaremos.

- S-sim, senhor!

- Ike! Você está encarregado da princesa. – Ordenou ao filho.

- Tudo bem. – Respondeu o garoto enquanto o pai se afastava e Elincia se aproximava – Princesa Elincia! Vou preparar um cavalo para você. O que você poderia fazer… ah, já sei… vá para o salão principal.

- Como?

- O tempo vai passar mais rápido se você estiver ajudando Mist do que se ficar aqui sentada esperando por mim.

- Oh, entendi. Posso fazer isso! – Exclamou a jovem educada.

Elincia entrou na casa principal e foi procurar por Mist, que estava no depósito separando os alimentos menos perecíveis. Mist se assustou quando a princesa disse o que fora incumbida de fazer, mas aceitou a ajuda e as duas começaram a conversar enquanto trabalhavam.

- Desculpa, isso é tão estranho! – Disse a menina – Fazer uma princesa ajudar a embalar as coisas…

- Por favor, não se preocupe Mist. – Elincia respondeu gentilmente – Só espero que eu não acabe te atrasando ou ficando no seu caminho.

- Não seja boba! – Brincou a jovenzinha animada – Você é bem melhor nisso do que eu. É uma grande ajuda! Todas as princesas são como você? Boas em todas as coisas que fazem?

- Haha! Não fui criada na corte, então minha vida foi um pouco diferente das outras princesas. Eu sei cozinhar, limpar, bordar… Aprendi a fazer todas essas coisas.

- Mesmo? Estou surpresa. Nunca ia imaginar isso só de olhar pra você.

- Deixa eu ver, eu também sei comandar cavalos, pratiquei luta com espada… – Enquanto falava Elincia percebeu uma luz vindo de Mist – Ah, Mist. O que é isso no seu pescoço?

- O quê? Oh, ah… – A menina olhou para baixo e retirou o pingente que carregava dentro da blusa – Acho que posso mostrar a você…

- Oh… É lindo… Um medalhão incrível, não é? Fico imaginando o que é essa luz.

- Ele costumava pertencer à minha mãe. – Disse a menina com saudosismo – É tudo que tenho para me lembrar dela. Hmmm… Eu não sei de onde essa luz vem. Não costumava ser assim. Algum tempo atrás que começou a brilhar.

- O mundo é tão cheio de mistérios, não é? Mas uma coisa é certa… realmente é lindo.

- Fico imaginando o que será que isso significa…

O grupo terminou de empacotar tudo e em poucas horas estavam prontos para a viagem. Mist deu um último olhar ao forte onde crescera e partiu, sem previsão de saber quando voltaria para casa.

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