2. Sam

Maio 25, 2009 at 1:55 am (Hakagure Academy, Kyou Kara Maou, Terra)

Melissa passou o domingo com Colin e Ray conhecendo as salas de música e esportes e escutando histórias que envolviam os clubes. No dia seguinte ela acordou bem cedo, vestiu o novo uniforme e se preparou para a nova rotina. O coração da jovem já estava mais tranqüilo depois do leve final de semana, ela era capaz de discernir um pouco melhor, pensar um pouco mais sobre o que faria ao retornar para Tellius, mas ainda não tinha idéia de como iria proteger duas crianças de um rei malvado e seu exército. Ela caminhava pelo longo caminho de cerejeiras entre os dormitórios e os prédios das aulas teóricas, quando notou a bela vista que podia ver da cidade abaixo. Entre os pensamentos de guerra de  Tellius e a calmaria de Hakagure, Melissa parou para observar a paisagem.

- Como será minha temporada neste lugar? Essa paz é maravilhosa… Mas tudo um dia tem que mudar… Elas sempre mudam… As coisas felizes e as coisas divertidas… tudo… muda… Mesmo assim, deveria me apegar a esse lugar? – Dizia a si mesma.

- Não é só encontrar? – Melissa escutou uma voz masculina ao lado dela.

A jovem se virou, surpreendida pelo momento de fraqueza que tinha exteriorizado. Assustada por ter sido descoberta. Os olhos da garota se depararam com um belo rapaz mais alto que ela, aproximadamente da mesma idade, com longos cabelos e olhos cor de ametista, assim como os olhos dela. “Günter?” – Pensou – “Não, impressão minha, deve ser bem mais novo que ele.”

- Quando tudo mudar, não é só encontrar as próximas coisas felizes e divertidas? – Continuou o rapaz encarando-a – Vem, vamos nos atrasar!

Melissa não disse nada, nem o rapaz dirigiu-lhe a palavra durante o longo caminho até o prédio. As aulas teóricas foram entediantes como quase sempre. O pai de Melissa sempre a obrigava a estudar quando viajavam entre os mundos, então constantemente ela ficava além dos outros alunos. Era injusto, ela sabia, mas indiscutível. Com o tempo ela se acostumou a fazer isso sozinha, sempre que tinha um tempo livre estava com um livro na mão. Mas, por esta ser uma escola deveras forte, esperava que fosse ter dificuldades em breve, isso a incentivava.

Alguns dias depois, Melissa estava lanchando embaixo de uma árvore, quando o misterioso rapaz tornou a aparecer.

- Yo, está sozinha? – Perguntou ao se aproximar – Não deveria estar na sala do conselho com seus amigos?

Melissa olhou para o rapaz com uma mistura de curiosidade e desaprovação. Como é que ele sabia que ela costumava lanchar na sala do Conselho Estudantil com Ray e Colin? E o que ele tinha a ver com isso? Mas, evitando ser grosseira logo de cara, ela respondeu:

- Está tendo reunião entre o conselho e os representantes de sala neste momento.

- Quer dizer que você não é um daqueles super burocratas escolares? Estou surpreso! Nunca tinha te visto até essa semana.

- E essa foi a primeira conclusão que você tirou? Impressionante… Não chegou a pensar que nunca me viu antes por que eu não existia?

- Como?

- Me transferi para este lugar semana passada. Não viu o jornal da escola? Eles me perseguiram até me obrigarem a dar entrevista. A parte boa é que me deixaram em paz depois disso. Sem mais idiotas me pajeando para arrumar assunto e fazer fofocas por aí…

O rapaz nada disse, apenas continuou olhando.

- Me desculpe… Estou sendo grosseira com você… Falando essas coisas para alguém que acabei de conhecer…

- Hahahahaha!!! Gostei de você! Sem rodeios e sem frescuras. Nesta academia tem muita gente rica, é difícil encontrar alguém sincero assim! – Continuou o rapaz sorrindo e finalmente sentando-se ao lado dela – Então… É por isso que estava falando aquelas coisas confusas? Você costuma se transferir bastante e por isso tem medo de criar laços aqui?

- Bingo!

- Garota burra! Isso só vai te fazer infeliz onde quer que você vá. Também não sou daqui, quando terminar os estudos provavelmente nunca mais verei as pessoas que hoje estão ao meu redor. Mas isso não me deixa deprimido, ao contrário, quero reunir o máximo de memórias e experiências boas e poder transmiti-las a todas as pessoas que um dia farão parte da minha nova vida.

Melissa ficou olhando fixamente para o rapaz. Ele tinha razão, ela sabia que tinha. Ela sempre viveu em meio de conflitos que estava com medo de ser feliz em um lugar tão pacífico como este.

- Me desculpe, isso pareceu um sermão né? – Falou o rapaz sem graça.

- Não, de jeito nenhum, acho que eu precisava ouvir isso. Obrigada! – Respondeu a garota sorrindo enquanto o sinal tocava os avisando do fim do intervalo.

- Bom, hora de ir! A propósito, sou Samuel Von Christ, da turma D, mas pode me chamar de Sam.

- Sou Melissa Summers, da turma B, mas pode me chamar de Mel. – Disse um pouco perplexa. Ele se parecia com Günter, e tinha o mesmo sobrenome, mas não era possível, um mazoku na Terra, era absurdo demais… A cabeça da jovem rodou por um segundo, mas ela soltou logo em seguida – Melissa Von Villeforte Summers!

Desta vez foi a cabeça de Sam que rodou. Ele estava saindo mas virou-se e se aproximou dela. Visivelmente surpreso ele disse baixinho:

- Você é uma herdeira de Sphere?

- Pelo visto você é mesmo parente do Günter. – Sorriu.

- Günter é meu tio.

- Erthian era minha mãe.

- O que faz aqui?

- Pergunto o mesmo.

Os dois continuaram a se encarar, sem saber o que dizer um ao outro, até que alguém gritou ao fundo: Christ! Summers! Acabou intervalo! Mel sorriu para Sam uma última vez e saiu correndo para dentro do prédio.

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1. Reencontro

Maio 24, 2009 at 11:16 pm (Hakagure Academy, Reborn!, Terra)

Na manhã seguinte, Melissa tomava café da manhã tranquilamente enquanto consultava o mapa da cidade, quando Colin apareceu.

- Bom dia, Mel! Sozinha por aqui?

- Bom dia, Colin! Sim, como acordei cedo achei melhor não incomodar ninguém. – Respondeu enquanto fechava o mapa.

- Pretende dar uma volta na cidade?

- Sim! Preciso comprar um celular para me comunicar daqui, deixei o meu na França. Também pensei em visitar um velho amigo do meu pai em Namimori, fica apenas há algumas estações de trem daqui, não é?

- É sim! Mas como hoje é sábado tem pouco transporte público. Posso te dar uma carona, se quiser!

- Ah, não precisa se dar todo esse trabalho…

- Não vai ser trabalho algum! Também vou para a cidade, vou passar o dia lá. Posso te levar para comprar o celular, a loja fica bem perto da estação. Depois disso a gente se fala e combina de voltar! – O rapaz ofereceu-se sorridente.

Os dois saíram com a moto logo após o café da manhã, despertando alguns olhares curiosos de vários alunos.

A viagem de trem até Namimori fora tranqüila, em três anos a cidade pouco mudara, o que facilitou bastante para Melissa encontrar o restaurante que procurava. Namimori era uma cidade pacífica, uma típica cidade de interior com casas térreas, bairros bem distribuídos e moradores educados. Melissa sempre gostou de Namimori, lá ela sentia-se numa cidade de contos de fadas, onde os problemas nunca chegavam. Após uma curta caminhada, chegou ao seu destino, restaurante do sensei Yamamoto.

A jovem entrou no balcão do restaurante vazio, pois faltava ainda uma hora para o início do almoço, e dirigiu a palavra ao cozinheiro que estava de costas: – Hummmm… esse peixe não me parece estar fresco. – Melissa sabia que o orgulho do senhor Yamamoto era servir os sushis mais frescos da região, isso realmente chamaria sua atenção.

- Olha dona! – Disse ele ficando a faca na tábua de madeira – Aqui não entra…. Melissa-chan???

- Olá Yamamoto-sensei! Há quanto tempo!!! – Respondeu sorrindo.

Melissa ajudou o senhor Yamamoto a servir os clientes no restaurante e depois, na limpeza após o almoço, conversaram bastante sobre os acontecimentos dos últimos três anos. Takeshi, o filho do senhor Yamamoto, dois anos mais novo que Melissa, estava no último ano do Ensino Fundamental e se destacava muito nos esportes, principalmente no baseball, a única decepção do pai era o filho ter desistido de treinar kendô. Durante o restante da tarde os dois treinaram kendô, para recordar os velhos tempos. Há muitos anos Melissa não usava aquela técnica, muito mais do que os três que o senhor Yamamoto se recordava. Foi muito bom para ela, concentração, equilíbrio, disciplina, sensações que faltavam no coração da jovem para mantê-la focada após o assassinato de Greil e as mudanças que ela sabia que ocorreriam em Tellius por causa disso. Foi um treino difícil, senhor Yamamoto percebeu que a jovem precisava dele mais do que ela própria imaginava e a fez prometer que voltaria mais vezes para treinar mais. O sol já começava a se esconder e o senhor Yamamoto ia começar a preparar um chá quando Takeshi chegou.

- Tadaima!!! – Anunciou o jovem entrando em casa com as roupas sujas e pequenos arranhões.

- Takeshi!!! – Gritou o pai em represália – Por onde esteve? Você não ia estudar na casa de um amigo?

- Eu fui, mas as crianças do Tsuna tem brincadeiras que explodem! Opa, temos visita, me dá um minuto que eu já desço!

Senhor Yamamoto voltou bravo para a cozinha, enquanto Takeshi subiu as escadas, tomou um banho apressado e voltou correndo.

[Takeshi] Me desculpe! – Disse desajeitado – Eu não estava muito apresentável!

- Esse menino não pára!!! – Exclamou o pai com ar de severidade enquanto colocava a mesa.

[Melissa] Está tudo bem, Yamamoto-sensei, ele está sempre tão cheio de energia!!! -  Disse  sorrindo – Mas, o que quis dizer com brincadeiras que explodem, Takeshi-kun?

[Takeshi] – Ahhh aquilo! Um colega da minha sala, o Tsuna, inventou uma brincadeira de máfia que trouxe várias pessoas únicas ao lado dele. Tem um bebê de terno com armas de brinquedo, outro que sempre se fantasia de vaca, outro colega de sala que sempre tem fogos de artifício, a irmã dele que faz umas comidas duvidosas e agora apareceu outro bebê que tem algum brinquedo que faz uma graaande explosão, é divertido!

- E a lição de casa, Takeshi??? – Indagou o pai, bravo.

[Takeshi] Nós terminamos, não se preocupe. Gokudera-kun é bastante inteligente!

[Melissa] Gokudera? Hayato Gokudera? Hurricane Bomb?

[Takeshi] Esse mesmo! Você o conhece?

[Melissa] Já cruzei com ele uma vez, mas foi na Itália. Ele está no Japão?

[Takeshi] Que conhecidência! Ele está morando aqui em Namimori! Você conhece a irmã dele também?

[Melissa] Sim!!! Doku Sasori Bianchi! Nunca coma nada que ela faça! Aquela garota é puro veneno… Mas… estranho… Eu achava que a Bianchi estava trabalhando na Itália com o Reborn…

[Takeshi] Hã! Você conhece a criança do Tsuna também? Que mundo pequeno!!!!!

[Melissa] Peraí!!! Takeshi… Esse Tsuna que você fala… o nome dele é Tsunayoshi Sawada?

[Takeshi] É sim! Você também conhece ele?

[Melissa] Não… Mas o pai dele é amigo do meu pai. Agora entendi… Reborn dele estar aqui para ser o professor particular do próximo Vongola. “Então o 9º finalmente se decidiu… Se Reborn está aqui é uma questão de tempo até que a batalha comece… Acho que entendi porque me transferiram para cá…”

[Takeshi] Hããã??!!! Você também conhece o jogo da Máfia?

[Melissa] Sim!!! É bastante divertido!!! Eu jogava com o Reborn na Itália, mas lá ele ajudava a família Cavallone, o 10º Cavallone, Dino, talvez um dia você o conheça. Eu pertencia à família Villeforte, era a 3ª Villeforte. “Idiota pensa que isso é um jogo. Onde o Reborn está com a cabeça de envolver um tapado de fora como ele?” Me conta, quantas vezes vocês já jogaram?

Takeshi começou a contar a Melissa desde o dia que Tsuna apareceu de cueca pela primeira vez. Senhor Yamamoto, vendo o quanto os dois estavam entretidos, recolheu o chá e os deixou a sós conversando. Não tardou muito até que o celular de Melissa tocasse e Colin a chamasse de volta.

[Takeshi] Uauuu! Hakagure Academy!!! Impressionante, Mel-sempai! Devem ter vários cursos diferentes!!!!

[Melissa] Tem, mas ainda estou na dúvida do que fazer. Não sei em que posso ser boa para escolher um clube…

[Takeshi] Hahahahaha!!! Deixa disso, essa é fácil! Música, ginástica artística, arco-e-flecha e kendô. Qualquer um deles que você entrar vai se dar muito bem!!!

Melissa sorriu para o rapaz. Ele percebeu em segundos o que ela passara a noite pensando. Ela se despediu de Takeshi e o senhor Yamamoto e deixou a promessa de que voltaria e passaria o feriado de Ano Novo com eles.

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11. Luto

Maio 18, 2009 at 1:15 am (FE - Path of Radiance, Parte 1)

Rei Caineghis e Ranulf chegaram ao castelo real de Gallia ao amanhecer. Melissa estava sentada no alto da grande escadaria que dava para a entrada principal. Os dois se aproximaram e Caineghis tomou a palavra.

- Quando chegamos já era tarde demais. Salvamos o filho, mas não foi possível salvar o pai.

- Entendo. Agradeço assim mesmo, se não estivessem lá aquelas crianças estariam perdidas. Qual o próximo passo?

- Vou dar o dia de luto a eles. Ao cair da noite enviarei Lethe e Mordecai para guiá-los até aqui.

- Então tenho um dia para remontar estratégia. – Disse a jovem se levantando – Hoje a princesa de Crimea é toda sua. Volto amanhã ao amanhecer.

A garota desapareceu no ar, tão inexplicavelmente quanto o sumiço do Black Knight.

[Go to: http://phantasias.wordpress.com/2009/05/10/uma-nova-realidade]

No Castelo Gebal, o dia fora de grande pesar. Ao pôr-do-sol, somente Ike e Mist permaneciam diante do túmulo de Greil.

- … Pai! Isto não é um sonho, né? Isso… é tudo real. – Sussurrava Ike – Mist. O sol está se pondo, está começando a esfriar. Vem. Vamos.

- Oh… Ike… – As palavras saiam com dificuldade entre o choro da menina.

- Mist…

- Por quê???

- Eu estava ao lado dele, mas… não pude salvá-lo… me perdoe!

- Snifff…

- É… É tão irreal…

- Papai se foi… Papai se foi, Ike… E eu… Eu não… Não sei o que fazer…

- Não se preocupe, estou aqui. – Disse o irmão mais velho estendendo a mão para Mist levantar e encaminhando-a de volta ao castelo.

- Irmão…

- Eu vou liderar a companhia… no lugar do papai… vou proteger todos vocês. Você, a princesa… todo mundo. Vou proteger você. Você vai ver.

- Não… irmão… Ike… não…

- Mist?

- Eu não vou deixar… Não posso perder você. Você não vê? Se você partir, eu vou ficar sozinha no mundo… Não vou deixar.

- Eu não vou a lugar algum. Eu te prometo, Mist…

Ao entrarem no castelo, Rhys e Rolf levaram Mist para o quarto, enquanto Titania e Soren chamaram Ike para conversar.

- Ike… – Chamou Soren.

- Oh Ike… onde está Mist? – Perguntou Titania.

- Descansando no quarto dela. Rhys e Rolf estão com ela.

- Isso é bom… Ela precisa dormir. – Disse Titania – Ela passou por tanta coisa. Todos nós passamos… Você devia descansar também, Ike.

- Eu estou bem. Pesar não vai trazer meu pai de volta à vida. Sei que tenho sido um fardo para vocês dois, mas… Soren, Titania, preciso agradecer a vocês dois por ficarem aqui comigo.

- Não precisa… – Disse Soren.

- Realmente. Não se dê o trabalho. – Complementou Titania.

- Então… cadê todo mundo? – Perguntou Ike.

- Ike, pra dizer a verdade… – Titania tentou introduzir o assunto delicadamente, quando a porta se abriu mostrando a chegada dos irmãos Oscar e Boyd.

- Boyd e eu voltamos! – Anunciou Oscar.

- Como foi? – Perguntou Titania.

- Eu não posso acreditar!!!! – Respondeu Boyd exaltado de indignação – Eles simplesmente partiram, e sem olhar para trás! Malditos sem-coração! Nunca vou perdoar eles!

- Boyd? O que está acontecendo? – Perguntou Ike.

- Ike! Você está bem? – Perguntou Boyd se acalmando um pouco.

- Estou bem. Me diga o que está acontecendo. Comece a falar!

- Bem… huh… é… O que eu queria dizer é…. – Boyd se atrapalhava nas palavras. Não queria dar outra má notícia ao amigo. Não sabia como falar delicadamente.

- Shinon e Gatrie abandonaram o grupo. – Disse Soren sem rodeios.

- Soren! – Reprimiu Boyd.

- O que foi? Não temos nada a esconder, temos?

- Eles debandaram? Os dois? – Interrompeu Ike – Por que eles…. ah, entendo… eles partiram por minha causa, não é?

- Titania nos disse que você seria o novo comandante. – Respondeu Boyd – Shinon explodiu…. Ele e Gatrie partiram não faz muito tempo.

- Nós fomos atrás deles. – Completou Oscar – Tentamos conversar, mas foi uma perda de tempo.

- Todos nós sabíamos que Ike iria herdar a companhia. – Disse Soren – As coisas só aconteceram antes do que nós esperávamos. Esta foi a decisão de Greil. Se alguns de nós não estão satisfeitos com isso, não há motivos para impedir de abandonar. Se a preocupação estiver em perdermos força de luta, podemos solucionar facilmente aceitando novos membros ao grupo.

- Como você pode dizer isso? – Boyd se irritara novamente – Depois de todas as batalhas que passamos juntos, como pode dizer isso?

- Me perdoe, Ike. – Disse Titania ao lado dele – Não fui capaz de impedir nada disso…

- Não foi sua culpa, Titania. – Consolou Ike – Eles fizeram o que achavam que era certo. Eles não queriam arriscar a vida recebendo ordens de um comandante inexperiente.

- Ike! Não fale assim sobre si mesmo. – Retrucou Titania.

- Não estou dizendo isso para ganhar a piedade de ninguém. É a verdade. Mas, ainda assim, eu não tenho intenção de desistir do comando desta companhia.

- Ike? Então o que você vai… – Interrompeu Titania.

- Vou seguir os desejos do meu pai. Vou assumir o comando. Se todos vocês me aceitarem, isso é o que eu gostaria de fazer.

- Mas é claro! – Aprovou Titania de imediato.

- Eu também já me decidi. Já tinha decidido antes mesmo de tudo isso. – Disse Oscar.

- O quê? Então agora você quer que eu comece a te chamar de Chefe? – Perguntou Boyd brincando – É isso? Bom, acho que posso fazer isso. Chefe será!

- Eu também estou dentro. – Ofereceu-se Rhys que acabara de chegar – Sei que perdi a maior parte da conversa, mas tenho uma boa idéia sobre o que vocês estavam discutindo. Comandante Ike… É, soa legal dizer isso.

- E quanto a você, Soren? – Ike perguntou ao amigo mago.

- … Ike. Não tenho certeza se posso ser útil a vocês. – Respondeu Soren com sincera humildade – Que lugar poderia haver para uma pessoa como eu em uma companhia de mercenários?

- Você é tão estranho… – Respondeu Ike – Eu sempre dependi de você, não foi? Preciso do seu conhecimento tático. Preciso da sua objetividade. Você não vai me deixar, vai Soren?

- Não se preocupe. – Respondeu um pouco envergonhado – Estarei aqui, cuidando de você.

- Obrigado, a todos vocês. – Finalizou Ike – Sei que não sou experiente como a maioria de vocês. Eu vou cometer alguns erros, mas vou tentar não desapontá-los.

O grupo cumprimentou Ike satisfeito e se separou. Na sala principal permaneceram apenas Ike e Titania. Como novo comandante, haveria muitas coisas que Ike precisaria saber e decisões que precisaria tomar. Titania, por ser o braço direito de Greil, possuía conhecimento de quase todos os pontos que Ike precisaria gerenciar e logo começou a introduzir o assunto. Ike procurou prestar atenção a tudo que ela dizia, mas o cansaço começou a derrota-lo e ele só conseguiu compreender algumas questões relacionadas à finanças e que Titania havia feito um acordo com mercadores refugiados de dar-lhes segurança em troca de bons preços e manutenção nos armamentos. Com tanta coisa para pensar, Ike ordenou que Titania descansasse um pouco e permaneceu ali, perdido em seus pensamentos.

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Uma nova realidade

Maio 10, 2009 at 2:57 am (Hakagure Academy, Terra)

Hakagure era uma ilha artificial conectada ao continente. Ela foi criada há 30 anos para receber talentosos jovens do mundo inteiro para estudar na famosa Hakagure Academy. Deste lugar deveria sair os futuros mundiais. Melissa fora convidada para preencher uma vaga na academia em nome do reino de Sphere. Normalmente ela estaria muito feliz em poder conviver como uma garota normal, mas naquele momento seus pensamentos estavam muito longe dalí.

“Francamente! Vou para Sphere pedir autorização para interferir diretamente no caso os órfãos de Greil e recebo a notícias de mudanças na Terra. Não entendi ainda o motivo de mudar de escola assim tão de repente. Sinceramente não sei onde estava com a cabeça quando aceitei essa proposta. Com tanta coisa acontecendo em Tellius, eu definitivamente não deveria estar perdendo tempo com situações cotidianas na Terra. Tudo bem, não estou perdendo tanto tempo assim, mas deveria estar me concentrando em como impedir uma guerra. Além do mais, que tipo de estudante estúpido se transfere no meio do semestre e em plena quinta-feira?” pensava Melissa enquanto descia do ônibus de viagem. A jovem observou a paisagem ao redor e viu a academia ao topo da ilha e começou a caminhar pelas ruas que levavam à grande subida “Ótimo! E nem posso me teleportar até lá!”

Ao parar um pouco para descansar, a jovem viu uma moto que passava rápido diminuir a velocidade e parar em frente a ela. Do veículo, um rapaz alto, de aproximadamente 16 anos, tirou o capacete e falou com ela sorrindo:

- Olá, Melissa Summers! Que cara desanimada! Aposto que está cansada!

- Er… um pouco. Não sabia que o ônibus passava tão longe.

- Não se surpreenda! No fim de semana ele passa mais longe…

- Er… desculpe por terem feito você vir me buscar… devo estar atrapalhando seu dia…

- Não se preocupe com isso, foi apenas um pedido do diretor. Além do mais, quase não temos alunos transferidos… Qualquer um ficaria curioso…  Então, vamos indo? Algumas pessoas estão te aguardando…

- Claro, vamos sim!

Melissa subiu na garupa da motocicleta e, em alguns minutos estavam na famosa academia. O rapaz, que durante o caminho se apresentou como Colin Shimuzu a deixou na frente do dormitório feminino, onde uma garota alta, possivelmente do último ano, a aguardava na porta com expressão de sono.

- Bem-vinda a Hakagure, sou Mirie Nakajima, a líder do dormitório feminino. Seu quarto é o 420, aqui está a chave. Suas coisas já foram transportadas para lá. A partir das 18h o jantar está disponível na cafeteria. Se precisar de algo estarei no quarto 101 tirando um cochilo.

A líder do dormitório entregou a chave e saiu andando. Melissa estranhou o descaso da veterana, mas achou melhor assim. “Se ela for sossegada desta forma, não vai sentir minha ausência quando eu estiver viajando por outras dimensões” – pensou.

O quarto era bastante grande, considerando-se que era um dormitório estudantil. Havia uma cama, escrivaninha, guarda-roupa e uma pequena pia de cozinha com frigobar, ao lado uma porta que levava ao banheiro privativo e à frente outra que dava para uma sacada com um pequeno varal.  Melissa foi até sacada e apreciou a vista do sol que se escondia atrás das montanhas do continente. “No primeiro final de semana livre quero aproveitar para visitar o senhor Yamamoto em Namimori. Que saudade da comida dele.” – pensou. A garota ficou durante quase todo o pôr-do-sol ali, apreciando a tranqüilidade do lugar. Depois voltou para o quarto, fechou a sacada, chamou seu báculo e pronunciou a ordem: No lugar! Logo as caixas de abriram sozinhas e a bagagem começou a preencher seus devidos lugares. Mas antes que pudesse terminar alguém bateu na porta. Melissa cessou a ordem silenciosamente, guardou o báculo e abriu a porta. Era uma jovem sorridente, sem uniforme.

- Oi! Sou sua vizinha, Rayanne Tengwar, mas pode me chamar de Ray! Você já jantou? Gostaria de companhia? Posso te apresentar o lugar!

- Eu adoraria!!! Espera só eu pegar um casaco?

- Claro! – Respondeu a menina olhando curiosamente pra dentro enquanto Melissa mexia em uma das malas abertas – Uauu! Você é rápida! Eu demorei uma semana para arrumar a minha mudança!

- Eu não sossego enquanto não tiver mais caixas. – Disse Melissa rindo – Vamos?

O caminho até a cafeteria foi curto. Ray parecia ser muito gentil e agradável. Ela não dava bola para os olhares curiosos dos colegas e falava bastante. As novas amigas se serviram e sentaram em uma mesa apenas para dois.

- Como está? – Perguntou Ray.

- Simplesmente delicioso! Obrigada pela indicação! – Agradeceu Melissa.

- Então, já sabe que disciplinas vai cursar?

- Ainda não, minha mudança de escola foi meio inesperada, não tive tempo de estudar o currículo, acho que vou dar uma olhada por aí amanhã, aí preparo meu horário e começo direitinho na segunda-feira.

- Boa idéia! Posso te ajudar a fazer um tour, você aceita?

- Aceito sim! Obrigada!

A noite seguiu tranqüila. Melissa não estava muito disposta a fazer amigos no primeiro dia e Ray garantiu para que ninguém tivesse abertura para atormentá-las. O dia seguinte foi bastante ocupado. Ray a levou para conhecer todos os ambientes, os clubes de arco e flecha, artes, trilha, natação, esgrima, tênis, tesouraria e, por fim, o conselho estudantil, liderado por Colin. Ao entrarem na sala do conselho, as duas, cansadas, caíram sentadas no sofá. Colin olhou espantado e pegou um pouco de água para as duas e Ray contou por onde andaram.

[Colin] Uma maratona e tanto vocês fizeram. Essa escola é muito grande, se não prestar atenção até eu me perco por aí. Não se preocupe Melissa, você pode ir se acostumando aos poucos.

[Ray] Você se perde porque não tem senso de direção, Colin!

[Colin] Heyyy!!!

[Ray] A academia é pequena, depois de hoje você já conhece pelo menos o rosto da maioria dos alunos. Matamos dois coelhos em um golpe só!

[Mel] Obrigada a vocês dois! Sinto que estou em boas mãos!

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10. A morte de Greil

Maio 3, 2009 at 8:59 pm (FE - Path of Radiance, Parte 1)

A viagem dos mercenários até o Castelo Gebal fora tranqüila. Todos chegaram exaustos e imediatamente foram dormir. Todos, com exceção de Greil e Ike que estavam preocupados demais com o acontecido para conseguirem relaxar. A escuridão da noite estava em seu ápice, quando Greil decidiu do castelo. Ike, atento às ações do pai, o seguira até encontrá-lo nas muralhas do castelo.

- Pai!

- Ike? O que está fazendo ainda acordado?

- Não consegui dormir. Estava olhando para fora quando vi você saindo do castelo. Onde está indo a esta hora?

- Não tem nada a ver com você, garoto. Volte para dentro e durma.

- Dá para parar de me tratar como criança? Vou fazer o que me der vontade, entendeu?

- Humpf. Você é sempre tão teimoso. Então o que acha de caminharmos e conversarmos um pouco?

- Tudo bem.

Os dois seguiram a passos curtos para dentro da floresta.

- Me diga Ike, está se acostumando com as idas e vindas da vida de um mercenário? A forma como sempre estamos em combate?

- Definitivamente me tornei um lutador melhor. Mas não entendo… por que colocar um novato como eu responsável pelo grupo?

- Por que você está reclamando? Tem algum problema com autoridade?

- Apenas me responda! Acabei de começar. Mal consigo lidar com as minhas próprias obrigações. Não deveria liderar ninguém.

- Você pode aprender tudo de uma vez. Tudo vai se encaixar assim que você começar a ganhar experiência.

- Isso é tão estranho… até um tempo atrás você nunca teria dito ou feito nada do tipo.

Greil não respondeu. Apenas olhou para a lua que teimava em iluminar o interior da floresta.

- Tem algo errado, pai? Por que está com tanta pressa?

- Ike… Você lembra de alguma coisa sobre sua mãe?

- O que? De onde veio isso?

- Apenas responda a pergunta.

- Deixa eu ver… Ela era gentil… eu acho… Não me lembro de muita coisa. E você nunca falou muito sobre ela também.

- Hummm… É verdade…

Pai e filho seguiram silenciosamente por mais um pedaço, até que Greil parou e começou a observar ao redor.

- Pai? O que foi?

- Terminamos. Deixe-me sozinho e volte para o castelo.

- O que? Assim do nada?

- Você me ouviu. É uma ordem direta! Volte ao castelo imediatamente!

- Eu… Tudo bem…

Muito a contra gosto Ike retornou até a entrada do castelo. Mas algo o incomodava, então decidiu voltar à floresta.


Tradução:

[Ike correndo]
Ike: Pai… O que está acontecendo? Onde você está?
[Ike vê Greil lutando contra o Black Knight]
Ike: Pai!
Greil: Ike? Fique longe!
Black Knight: Aqui. Use esta espada.
[Black Knight joga Ragnell perto de Greil]
Greil: O que está fazendo?
[Black Knight desembainha Alondite]
Black Knight: Estou esperando por isso há muito tempo.
Black Knight: Prefiro que você use sua arma mais apropriada, assim poderei vê-lo em toda a sua força…
[Black Knight aponta a Alondite para Greil]
Black Knight: General Gawain, Cavaleiro de Daein.
Greil: Este foi meu nome um dia,
[Greil pega Ragnell]
Greil: mas eu
[Greil joga Ragnell perto de Black Knight]
Greil: abandonei. A única arma que preciso
[Greil pega Urvan]
Greil: está bem
[Greil aponta Urvan para frente]
Greil: aqui.
Black Knight: Você quer morrer?
Greil: Sua voz… Eu lembro de você.
Greil: Acha mesmo que pode me derrotar? O homem que ensinou você a lutar? Que tolice.
Greil: Venha, garoto! Me teste!
[Greil e Black Knight lutam novamente, termina com o Black Knight atravessando sua espada em Greil]
Black Knight: Isso é tudo? Nenhum desafio? Nenhuma resistência?
[Greil balanceia e é pego por Ike. Os dois caem no chão]
Ike: Pai!!!
[Ike segura o pai]
Ike: Não… Não me deixe…
Ike: Não me deixe! Pai!

- Inacreditável! – Dizia a voz metálica do Black Knight – Isto é o que se tornou o meu professor?

- Pai!!! Pai!!! – Gritava Ike incansavelmente.

- I… Ike… – Se esforçava Greil.

- Aguente firme!!!

- Então, vai me dar o que eu vim buscar? – Perguntou Black Knight friamente.

- Eu… não… tenho… joguei… fora… – Respondeu Greil.

- Você, que sabe melhor do que ninguém o que é, jogou fora? – Debochou o cavaleiro – Com certeza pode inventar uma desculpa melhor do que essa. Você nem ao menos está tentando.

- Cansei de falar com você. – Retrucou Greil.

- Então você não vai mesmo me dar respostas, não é? Dizem que os mortos guardam seus segredos. Mas você… não está morto ainda. Fico imaginando… você vai assistir a face do seu filho ficar pálida, os olhos dele se fechando enquanto a vida dele se esvaia… E depois sua filha… ah, os horrores que eu levarei até ela… Talvez isso faça sua língua se soltar? Acho que nós vamos ter que ver para descobrir.

- O quê?????? – Disse Ike levantando-se nervoso.

- Não! Ike! – Gritou Greil em vão.

Ike partiu para cima do Black Knight, que nem sentiu seu golpe. Entretanto, com um movimento de espada do cavaleiro, Ike caíra no chão.

- Ike!!! – Greil gritou novamente.

- Não vou me conter novamente. – Disse Black Knight – Me dê o que eu vim buscar. Se você não resistir, deixarei seu filho vivo.

- P-pare… Não encoste no meu filho!!!! – Greil tentou levantar-se para desafiar o cavaleiro negro, mas não tinha forças para manter-se em pé. Ike entretanto levantou e lançou mais um golpe sobre o Black Knight, que novamente não sentiu nada. Quando o inimigo levantou sua espada contra Ike, um forte rugido fez tremer toda a clareira onde estavam.

- O que foi isso? O rei das bestas? Que incômodo. Eu deveria me retirar? – Perguntava o cavaleiro para si mesmo.

- Você não vai a lugar algum!!! – Desafiou Ike.

- Me diga, o filho é tão burro quanto o pai? – Perguntou Black Knight.

- Ike, pare. – Greil tentou interromper – Você não tem como vencer.

- Você não vai continuar? – Perguntou o inimigo satisfeito – Então eu termino isso… – Mas um novo rugido surgiu novamente, muito mais potente que o anterior – Tão perto… Agora não é hora de eu lidar com ele. Hoje você vai ficar com a sua cabeça no lugar, garoto.

Black Knight desapareceu diante dos olhos de Ike.

- Droga! Tão inflexível. Tão arrogante… Claro… Quem o fez assim… fui eu… – Disse Greil desmaiando.

- Pai? Pai! Aguente firme! – Dizia Ike apoiando o pai nas costas – Não posso fazer nada aqui… Tenho que te levar de volta para o castelo!

Debaixo de uma chuva que teimou cair no momento, Ike carregou seu pai pelo percurso de volta ao Castelo Gebal.

- I-Ike…

- Pai? Você acordou!

- Eu… Tem algo que preciso dizer a você…

- Diz depois. Agora estou te levando de volta para o castelo.

- Esqueça vingança… Deixe aquele cavaleiro em paz… Fique longe…

- O que? Pai?

- Fique com o rei de Gallia… Viva lá. Viva em paz…

- Pai, pare de falar. Está desperdiçando suas forças. Por favor…

- Preciso que você cuide de tudo… A companhia… Mist…

- Espera… Você não deve dizer estas coisas! Vai clarear daqui há pouco. Você vai ficar bem…

Ainda que Ike tivesse esperança, Greil sabia que sua hora tinha chegado. Pouco antes de alcançarem as muralhas do castelo, Greil expirou. Ike gritou tão alto que todos no castelo o ouviram e saíram correndo para ver o que havia acontecido.

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9. (i)Mortalidade

Maio 3, 2009 at 8:51 pm (FE - Path of Radiance, Parte 1)

A viagem de Elincia e Ranulf para o palácio real de Gallia foi bastante rápida. Ranulf carregou-a nas costas e corria entre a mata fechada tão rapidamente que se a princesa ficasse de olhos abertos possivelmente não suportaria a viagem. Alcançaram o castelo real de Gallia ao pôr do sol.

Ranulf pediu para que a princesa aguardasse numa calorosa sala de espera, enquanto buscaria o rei. Princesa Elincia sentiu-se feliz por finalmente alcançar o objetivo, mas seu coração se mantinha nos mercenários que haviam ficado para trás. Pouco tempo se passou e Ranulf voltara acompanhado de três pessoas. À frente deles, o grande leão, tomou a palavra.

- Bem-vinda à Gallia, princesa Elincia. É com grande prazer que a recebo em meu território. Sou Caineghis, rei de Gallia, à minha direita está Giffca, meu fiel conselheiro e à minha esquerda, creio que já conheça, rainha Melissa de Sphere.

- Rainha de Sphere??? Eu… não sabia… perdão por minha indelicadeza. – Disse Elincia envergonhada.

- Hahahah! Não se preocupe, criança. Não é nada além de um título. – Disse a jovem de cabelos negros sorridente.

- Você deve estar deveras cansada. Todos os acontecimentos recentes e a viagem devem tê-la esgotado. – Disse o rei a Elincia – Sugiro que descanse esta noite e aproveite nossa hospedagem, amanhã pela manhã poderemos conversar melhor.

- Obrigada, majestade, é muito gentil de sua parte. – Agradeceu a jovem princesa.

- Com relação ao seu escorte – Disse o rei adivinhando os pensamentos da jovem – providenciarei para que sejam trazidos para cá o mais breve possível.

- Muito obrigada! – Agradeceu novamente com um largo sorriso.

- Eu desejaria que esse breve fosse bem breve, Caineghis. – Interrompeu a rainha de trajes negros – Não gosto nem um pouco da idéia de dois dos quatro cavaleiros de Daien estarem nas proximidades daquelas crianças. E a forma com a qual mestre Greil dispensou meus serviços não me agrada nem um pouco.

- Entendo sua preocupação. – Respondeu o rei – Ranulf, importa-se em me acompanhar numa viagem ao castelo Gebal esta noite? Desejo conversar com Greil pessoalmente o quanto antes.

- Será uma honra, majestade. – Respondeu Ranulf.

- Giffca, você fica encarregado do castelo. Melissa, você conhece tudo, ajude a princesa Elincia no que ela precisar, tudo bem?

- Como quiser! – Respondeu a jovem – E obrigada!

Melissa pegou Elincia pelo braço e saiu com ela do recinto. As duas tomaram um banho relaxante na fonte térmica do castelo, depois se alimentaram como Elincia não comia desde que fugiu de seu castelo e, por fim, seguiram ao dormitório. Elincia se sentou na cama e Melissa se ofereceu para pentear-lhe os cabelos.

- Acha que eles estão bem? – Perguntou a princesa.

- Sim, a essa hora já chegaram ao castelo Gebal, devem estar descansando.

- Desculpe-me a intromissão, mas o que a rainha dos imortais faz aqui em Gallia? Não é por mal, mas…

- Hahhahaha!!! Tudo bem, isso sempre assusta as pessoas. Sphere tem cinco reis, cinco governantes, cada um responsável por um pedaço do território. Quase como se fosse um grande império dividido em reinados, mas sempre unidos. Sou responsável pelo pedacinho de Sphere que faz divisa com Tellius, um lugar chamado Shin Makoku e outro lugar chamado Terra. Esses dois últimos são muito distantes e nenhum morador de Tellius nunca chegou lá.

- Meu pai me contava histórias de Sphere, como era uma grande nação, mas nunca imaginei a imensidão dela.

- Quando se vive muito, consegue ir a lugares mais distantes. Mas é um desafio também, cuidar das fronteiras.

- Por isso que está aqui? Por que Daien pode invadir?

- Não. Ashnard não seria tolo o bastante em tentar invadir Sphere. Estou aqui porque acho que aquele rei maluco é um perigo para toda Tellius. Nós de Sphere não temos intenção de interferir em Tellius, mas a ganância e o desejo de poder de Ashnard me preocupam. Eu pretendia assistir aos eventos de fora, mas quando Greil se envolveu tudo mudou.

- Conhece lord Greil há muito tempo?

- Desde antes de Ike nascer. Eu estava perto quando ele e Elena, mãe de Ike se apaixonaram. Eu tinha muito amor por Elena, depois que ela se foi esse sentimento se transformou em um enorme respeito por Greil. De longe acompanhei o crescimento dos filhos deles, até agora…

- Deve ser difícil ser imortal, ver as gerações passarem, pessoas amadas envelhecerem e morrerem enquanto você permanece estática.

- Nós não somos imortais. Os Eternos, como vocês nos chamam, apenas não envelhecem tão rápido, nem morrem tão fácil como vocês. No fundo somos só mais resistentes, mas isso a gente conversa depois. Você precisa descansar agora, durma!

Elincia se deitou e, segundos depois já estava dormindo. Melissa se apoiou na janela, observando a lua cheia. “É difícil sim, deixar as pessoas que amamos partir deste mundo” pensou.

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